Editorial - Pedágio mais barato
O anúncio feito pelo governador Jaime Lerner de que as tarifas do pedágio terão redução média de 50% a partir da próxima semana deu origem a uma série de comentários em todo o Estado, alguns até depreciativos, a exemplo do que já ocorrera quando foi iniciada a cobrança nas rodovias que formam o Anel de Integração. Mas o importante neste momento é o fato de que a decisão representa um alívio para quem utiliza as estradas paranaenses, o que inclui o transporte de grande parte da produção no Estado. E mais: mostra a determinação de se reformular uma medida diante da reação estadual e dos efeitos negativos que a cobrança vinha causando. Ainda mais quando se reconhece que, em tese, o pedágio constitui um tipo de taxa justa na medida em que é pago por quem se beneficia do serviço, no caso, quem usa as rodovias.
O problema, naturalmente, é muito complexo. A decisão de implantar o pedágio, adotada pelo governo Lerner, implicou em uma grande dose de coragem, até por se poder antecipar, facilmente, a reação adversa à medida, com pesados ataques aos valores cobrados dos usuários. Segundo o que o governador Jaime Lerner anunciou, a redução nos valores será acompanhada do adiamento ou suspensão de uma série de obras já previstas quando da implantação do pedágio, o que comprovaria, pela ótica oficial, que os valores fixados não são irreais. Ou seja, os preços já levariam em conta estas novas obras e serviços, agora comprometidos temporariamente.
Do ponto de vista eminentemente prático, o importante é a diminuição no valor, para a qual contribuiu, sem dúvida, a reação geral. E isto também é sobremaneira importante, reflexo mesmo de profunda alteração na mentalidade da população, que hoje não aceita mais passivamente decisões de governo, em qualquer nível. Esta consciência, que provocou a reação e a aceitação pelo governo deste tipo de pressão, representa fator característico de uma nova fase na vida nacional.
Como esta decisão ocorreu quando já se deflagrou a campanha sucessória, não faltarão tentativas de se acusar o governador de ter adotado a medida com interesse eleitoral. Na verdade, o período de campanha, mesmo quando os chefes de Executivo têm direito de se candidatar à reeleição - como é o caso agora -, não pode ser uma época de inércia política. Decisões que precisam ser tomadas não devem ser adiadas porque se diria que são eleitoreiras. De fato, tudo o que um político faz, antes de assumir um cargo e durante o seu exercício, visa, de algum modo, o voto futuro. Assim funciona o sistema e seria muito negativo para a própria vida em geral se alguns meses antes de cada pleito todas as decisões de governo fossem suspensas.
O interesse coletivo está (ou deveria estar) em primeiro lugar, sempre. O pedágio foi instituído há pouco tempo, as pressões têm sido fortes, o governador sentiu todo o problema e decidiu sobre a redução, medida que, inclusive, não deve ser questionada pelas empresas concessionárias, já que, para compensar, foi determinada a suspensão de muitas obras. Prevalece, afinal, o bom senso, que é a aceitação pelo governo de uma reação popular verdadeiramente justificada. É, ainda, uma evidente demonstração de elevação política, tendo como resultado uma decisão em que todos saem vencedores.





