“Estamos passando por um novo deserto”. Foi dessa maneira que definiu o padre Rodolfo Trisltz, pároco do Santuário Nossa Senhora Aparecida, de Londrina, o momento que a humanidade atravessa este segundo ano de pandemia do novo coronavírus.

É a segunda Páscoa que o brasileiro passa em quarentena, já que no ano de 2020 o país vivia as primeiras semanas de uma crise que se estenderia por muito mais tempo do que se imaginava. Até hoje, às vésperas de Londrina chegar à trágica marca de mil mortos por Covid-19, não é possível arriscar quando a vida voltará a ser o que era antes.

Mas é Páscoa, e como afirmou Trisltz, vivenciá-la é renovar a fé. E no momento mais difícil da pandemia, é preciso saber demonstrá-la mais uma vez de forma diferente. Sem a tradicional procissão, sem abraços ou qualquer tipo de aglomeração. Hoje, fazer renúncias é uma prova de amor e respeito ao próximo.

" Nesse tempo de pandemia, nós podemos perceber que as coisas podem sim ser vistas a partir do desespero, mas nós preferimos olhar também para esse tempo como um tempo de esperança, de vida nova. Isso, porém, não nos deixa inertes diante da realidade, pensando que Deus irá resolver os nossos problemas como um milagre. Nesse momento, nós cristãos nos colocamos de fato numa fé que deve representar também uma esperança pró-ativa”, afirmou dom Geremias Steinmetz, arcebispo de Londrina.

Em entrevista à FOLHA, o arcebispo convidou a comunidade a buscar esperança na ciência, na solidariedade e na compaixão com o próximo. E nada disso se alinha a encarar esse feriado da Páscoa como uma oportunidade para viajar e promover qualquer tipo de aglomeração que represente oportunidade para o Sars-CoV-2 circular ainda mais.

Ainda hoje, o Brasil sofre os efeitos das festas de fim de ano e do carnaval, prova disso são as UTIs superlotadas e o número crescente de casos e mortes por coronavírus. É a pior crise sanitária da história do Brasil, com números recordes de mortes e casos.

Se todo mundo ficasse em casa nos próximos dias, haveria uma redução na transmissão do vírus. Mas, infelizmente, não funciona assim. Para que as medidas de restrição sejam eficientes, mais do que o poder da fiscalização, é preciso adesão da população.

A FOLHA deseja a seus leitores uma Feliz Páscoa!

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