Editorial - Otimismo persiste
Os países latino-americanos podem contar este ano com um grande aumento de suas exportações diante das perspectivas do forte crescimento econômico nos Estados Unidos e da área do euro, segundo os analistas dos bancos comerciais alemães. Os exportadores de matérias-primas, como cereais e oleaginosas, podem contar também com um aumento do nível de seus preços atuais, segundo informou o departamento de pesquisas econômicas do Deutsche Bank. A demanda interna ainda reprimida, entretanto, vai frear as perspectivas de crescimento econômico na maioria dos países latino-americanos, cuja média será de 3% aproximadamente para este ano. Para os analistas, o Chile, com 5% de aumento do PIB, será o país com mais crescimento na região em 2000. Na área financeira, os analistas do Deutsche Bank e também do Dresdner Bank observam certos riscos diante de um possível aumento das taxas de juros nos países industrializados e classificam como muito bons os sinais da economia real porque há um grande crescimento previsto para Estados Unidos e Europa. Isto significará para América Latina maior demanda de exportações.
Estes bons indicadores, que apenas reafirmam as expectativas positivas que vêm sendo alimentadas desde o final do ano passado, são respaldados por outras importantes pesquisas. Levantamento realizado entre empresários da área metropolitana de São Paulo, ainda a região economicamente mais forte do país, indica que 14,07% dos consultados consideram que a situação econômica do Brasil ficou melhor durante fevereiro. Em janeiro, esse número foi menor: 10,5%. Para os próximos 12 meses, 46,5% do empresariado espera que o quadro seja melhor em relação ao registrado no ano passado. Os dados são da Pesquisa de Opinião do Comércio (POC) realizada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP). A análise revela que 53,9% dos entrevistados acreditam que o quadro econômico do País está igual ao do mês anterior, enquanto 30,62% acham que está pior e 1,32% não souberam responder.
Para os próximos 12 meses, 33,11% dos empreendedores acreditam que a situação de suas empresas estará igual ao verificado no ano passado. Já para 14,73%, a perspectiva é de piora para o setor. Segundo o economista Fábio Pina, da FCESP, a expectativa de melhoria da economia brasileira deve-se, em parte, a uma percepção positiva do setor sobre a inflação, o câmbio e o preço do petróleo. O entendimento é o de que nem a alta dos combustíveis afetará a inflação. Outro dado que poderia interferir na economia brasileira são as taxas de juros dos Estados Unidos. Entretanto, a opinião dos especialistas é a de que o cenário americano, apesar de não ser dos melhores, não chega a assustar os empresários.
Estas informações, que parecem até complementares, oferecem pelo menos dois interessantes temas para reflexão. Para se beneficiar desta situação externa, melhorando as exportações, o Brasil precisa investir na produção. É necessário ter excedentes, a fim de aproveitar o bom momento que se antecipa para o mercado. Adicionalmente, é necessário levar em conta a observação sobre o fato de que um dos fatores que inibem o desenvolvimento da América Latina (e do Brasil, naturalmente) é a demanda interna reprimida. Se o povo tiver melhores condições para o consumo, o desenvolvimento será mais intenso e rápido e terá, como resultado adicional, a melhoria na qualidade de vida do cidadão, o que deve ser a grande preocupação dos governantes em geral. É um tipo de resultado possível, que representa também o anseio concreto dos que continuam a confiar neste ano 2000.





