Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, foram para casa na sexta-feira acreditando que sairiam vitoriosos no STF (Supremo Tribunal Federal) com o projeto de se reelegerem nos cargos máximos do Congresso, driblando a Constituição, que não permite que parlamentares sejam eleitos para presidir as casas em uma mesma legislatura. Isso só é permitido em legislaturas diferentes.

Quando a semana terminou, quatro ministros já tinham votado pela possibilidade de reeleição: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes.

O jogo mudou no domingo à noite, quando dois ministros que antes haviam se mostrado favoráveis à recondução de Maia e Alcolumbre, mudaram de posicionamento. São eles Luiz Fux, que preside o Supremo, e Luís Roberto Barroso.

O STF tinha até dia 14 de dezembro para que os ministros registrassem os votos por escrito, mas a reviravolta se consolidou domingo à noite e o placar terminou em 6 a 5 contra a reeleição de Alcolumbre, e 7 a 4 contra a de Maia. Certamente, a pressão da opinião pública deve ter influenciado os ministros para que mudassem seus votos.

Começa agora o período de especulação dos nomes dos possíveis sucessores dos dois líderes do Congresso. Cogita-se que o MDB teria a preferência no Senado, pois tem a maior bancada. Veículos de comunicação que cobrem o Congresso apontam nomes que estão sendo cogitados na Câmara, entre eles, Arthur Lira, do PP de Alagoas, e Baleia Rossi do MDB de São Paulo.

Caso o leitor esteja se perguntando por que deveria se interessar por um tema “tão distante” como a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, saiba que está nas mãos deles decisões que podem interferir diretamente na vida do brasileiro, como colocar na pauta e costurar a aprovação de matérias importantes, entre elas as reformas estruturais. Também podem inviabilizar o trabalho de um presidente da República e tirar da gaveta o pedido de abertura de um processo de impeachment contra o chefe máximo da nação. Quem não se lembra de Eduardo Cunha X Dilma Rousseff?

A FOLHA agradece a preferência!

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