Eleito com margem mínima de vantagem sobre Jair Bolsonaro (PL) - 50,8% dos votos válidos, contra 49,2% obtidos pelo presidente -, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está definindo a escalação da equipe que vai compor os 37 ministérios de seu terceiro governo a partir de 1º de janeiro de 2023. Não bastasse o número excessivo de pastas, uma ignomínia em tempos de necessidade de austeridade fiscal, a propalada contemplação de partidos que formaram a coalização que ajudou a eleger Lula ainda não aconteceu.

Nomes do centro que arregaçaram as mangas na campanha petista no segundo turno, como a senadora e ex-presidenciável Simone Tebet (MDB), lidam com o constrangimento de ter de aguardar até o último momento para saber se de fato assumirão alguma pasta.

O que se viu por ora na formação da equipe ministerial é o chamado samba de uma nota só, com o petismo e seus espectros da esquerda dominando as indicações. Há quadros do partido que já atuaram nas gestões anteriores de Lula e da ex-presidente Dilma Rousseff e voltam à cena - casos de Fernando Haddad, agora na Economia; Aloizio Mercadante, cuja nomeação para o BNDES promoveu até uma conveniente e nada prudente alteração na Lei das Estatais por parte do Congresso Nacional, em votação relâmpago; e Alexandre Padilha, alocado nas Relações Institucionais. E os petistas do Nordeste que deixaram a chefia de seus estados e vão abdicar do mandato no Senado - Rui Costa, da Bahia, nomeado para a Casa Civil, Wellington Dias, do Piauí, que atuará no Desenvolvimento Social, e Camilo Santana, do Ceará, futuro ministro da Educação.

A rigor, apenas José Múcio Monteiro Filho, amigo de Bolsonaro e futuro ministro da Defesa, e o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), que acumulará a função com o Ministério da Indústria e Comércio, podem ser considerados ministeriáveis sem a matiz e os dogmas petistas que tanto provocam desconfiança em áreas do setor produtivo, como o agronegócio.

Ainda faltam 16 pastas para serem preenchidas. É claro que não se esperava de Lula a formação de uma equipe "heterogênea", que atendesse às demandas prementes de setores ditos mais refratários aos conceitos de política pública do petismo, afinal de contas, ele é um político de esquerda. Também há de se reconhecer que a diversidade está sendo contemplada com a nomeação das primeiras mulheres para cargos de alto escalão - Nisia Trindade, presidente da Fiocruz, para o Ministério da Saúde, Luciana Santos (PCdoB) para a Ciência e Tecnologia, Anielle Franco (irmão da vereadora carioca assassinada Marielle Franco) como ministra da Igualdade Racial e a cantora Margareth Menezes para a Cultura.

No entanto, o presidente eleito tem o dever de convencer os mais de 57 milhões de brasileiros que não o escolheram para a Presidência que, como ele mesmo disse no discurso de vitória ainda no 30 de outubro, não fará um governo do PT. Mesmo porque a ampla aliança que construiu, fruto de sua capacidade de articulação política que alas do bolsonarismo precisam aprender a desenvolver, foi determinante para a recondução ao Planalto após condenações em segunda instância revertidas pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Isso passa por uma clara definição de como conduzirá a economia em meio à necessidade de não provocar um rombo nas contas públicas.

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