Editorial - O Professor e a Esperança
Greve de 24 horas e uma passeata da Candelária à Cinelândia promovida pelo Sindicato dos Professores, CUT, Movimento Estudantil, partidos políticos e outras entidades marcaram a comemoração do Dia do Professor, data que transcorre hoje, no Rio de Janeiro. Não é preciso mais do que isso para qualquer pessoa saber que a situação dos professores deve ser grave. E é. Do mesmo modo, os fatos mostram que um país sem professores motivados e respeitados pela sociedade nunca terá um nível de educação que o habilite a ser um país forte e próspero. E isto é tão grave quanto o problema anterior. Lamentavelmente, a resultante natural disto é o estado de miséria cultural que se reflete num país que tem tudo para ser um dos mais avançados do mundo, mas que continua a vegetar no subdesenvolvimento.
Nos últimos tempos, há sinais positivos de que está em processo uma nova forma de ver e tratar o professor. Um deles veio do exterior, com o alerta feito durante o encontro anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial em Hong Kong, sobre a vital importância da educação para os governos assegurarem melhor qualidade de vida aos povos do mundo. E no centro desse processo está o educador. Novas tecnologias são importantes, novas técnicas de ensino também, idem para currículos mais modernos, treinamentos, especializações, verbas etc. Mas tudo isso servirá para nada ou muito pouco se os professores não tiverem o respeito da sociedade e condições materiais de se sustentarem da profissão que escolheram.
Uma sociedade que reserva aos seus educadores um salário indigno e uma vida miserável não tem amor por seus filhos e não quer um futuro melhor nem para eles nem para si. Infelizmente, além do discurso e das sugestões, pouco se faz de prático para provar o contrário. A realidade dos professores no Brasil, em todos os níveis, continua a ser verdadeiramente dramática. Sem salário, sem condições para o exercício da profissão, sem estímulo para a carreira, o que temos são professores sem esperança, justamente eles que deveriam plantar no coração dos pequeninos e dos jovens a semente de uma nova vida.
Neste momento histórico do mundo, em que o conhecimento é indispensável para o ser humano enfrentar os desafios da própria sobrevivência, a falta de uma política de apoio, estímulo e respeito aos professores é um crime cometido contra o País, no presente e no futuro. Pois o que se plantou em décadas de desrespeito aos educadores é o que se tem atualmente, uma imensa população de ignorantes e miseráveis. Não só porque os salários são baixos, a renda é de poucos e o desemprego é de muitos, mas porque lhes foi sonegada a educação e a instrução, direitos fundamentais da pessoa e obrigações básicas do poder público.
Diante disto, soam falsas todas as justificativas, inclusive a de que as próprias famílias pobres promovem a ignorância porque precisam dos filhos para sustentar a casa com as migalhas do biscate ou do subemprego. Esta é uma forma cômoda ou cínica de desculpar a omissão do poder público.
Os responsáveis pelo FMI e pelo Banco Mundial não tiveram uma idéia paternalista ao alertar para o grave problema da miséria e da ignorância coletiva. O que fizeram é mais sério e objetivo, afirmando que ou se trabalha para diminuir o fosso que há entre ricos e pobres, ou se deixa aberto o caminho para a grande rebelião dos desesperados. E só se poderá buscar o caminho da redenção valorizando o trabalho e a educação. Sirva este Dia do Professor para despertar nossas autoridades para esta realidade.





