Nada é mais legítimo do que a pressão do povo, e ao menos ontem esse princípio consagrou-se, no ambiente da Assembléia Legislativa do Paraná, quando o presidente da Casa teve que adiar a sessão que decidia a venda ou não da Copel. A decisão foi tomada em face da pressão de centenas de pessoas que, literalmente, se apossaram de todas as dependências da Assembléia, incluindo o plenário e os banheiros.
Não só pela opinião dos contrários à privatização da empresa - assim como a maioria esmagadora da população paranaense - mas pela presença física dos manifestantes, em limitado espaço, prevaleceu a força da vontade popular até onde foi possível chegar, e que por ora foi apenas a suspensão temporária da votação. Tempo suficiente para nova reflexão por parte dos deputados favoráveis à privatização, a qualquer preço, da companhia estatal de eletricidade.
Essa invasão não foi, certamente, um ato pacífico, mas é também uma forma de escrever a história da democracia, porque é justa a causa dos manifestantes - que não atende apenas ao sentimento dos que estavam presentes, mas reflete as vozes das multidões que bradam dos quatro cantos do Paraná. E o que é a postura dos deputados governistas senão um ato de violência, já que contraria a vontade de toda a população?
O encurralamento dos deputados pela multidão, ontem, foi um ato de força, um derradeiro recurso da sociedade contrariada, quando faltam ouvidos para escutar os seus clamores. Até o presente momento triunfa o poder do povo, e o indício é de que a próxima sessão será, da mesma forma, tumultuada. Melhor que tudo ocorresse pelos caminhos do bom senso, mas os deputados privacionistas ignoram o brado das 400 entidades representativas dos mais diversos segmentos profissionais do Paraná, contrárias à venda da Copel, e a opinião de quase 80% dos paranaenses, no geral. Preferiram as vantagens sinalizadas pelo governo.
Dessa forma eles pisoteiam sobre a vontade dos cidadãos - que afinal representam - na mais acintosa afronta da história política paranaense de que se tem notícia, e vão decretando a falência da representatividade popular e colocando uma mortalha sobre a democracia.

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