O Brasil recebe, esta semana, mais uma vez, a visita do Papa João Paulo II, líder espiritual de bilhões de católicos em todo o mundo. É uma presença sempre muito bem-vinda, não apenas pela representatividade do visitante mas pelo que representa para ponderável parcela da população brasileira. Ademais, nos tempos que correm, o Papa tem uma força e uma presença que ultrapassam a religião que lidera, tendo-se convertido em figura de projeção mundial, com uma atuação firme em defesa dos direitos humanos, contra os abusos que se cometem, em toda parte, independente da religião. Não se pode, por exemplo, minimizar o papel desempenhado pelo Papa na verdadeira revolução ocorrida com o fim do comunismo na Europa oriental. Dificilmente será possível saber a dimensão efetiva da participação de João Paulo II nesta mudança, mas é inegável que o trabalho que realizou - sem contar, naturalmente, a questão religiosa, as incontáveis orações do Santo Padre com esse objetivo - foi de enorme importância para que o mundo vivenciasse uma mudança tão radical e, sem dúvida, até inesperada.
João Paulo II, aliás, tem realizado um trabalho de apostolado e de aproximação que transcende a religião. Sua mensagem, naturalmente, está embasada nos ensinamentos de Cristo, que têm uma dimensão muito maior que a de uma ou outra denominação religiosa e que visam, basicamente, atender aos anseios mais profundos do ser humano. E é isso o que o Papa tem feito. Sua aproximação com líderes de países francamente hostis à religião - caso das antigas nações da Europa comunista, no passado, e de Cuba, agora - evidenciam essa visão mais ampla que torna sua presença tão importante. Não por outro motivo, o presidente cubano, Fidel Castro, o foi visitar há alguns meses e insistiu na visita do Pontífice da Igreja Católica a seu país. O Papa, hoje, é mais do que o líder da Igreja Católica, o sucessor de Pedro, mas uma das mais importantes e acatadas figuras do cenário internacional.
Sua visita ao Brasil é motivo para alegria dos católicos mas deve ser, também, razão para respeito dos que não o são. Inclusive há a considerar o fato de que se trata de um convidado à nossa casa, o que já seria suficiente para lhe garantir uma estadia tranquila. Lamentavelmente, porém, tem havido certas distorções a respeito. Panfletos criticando o visitante já foram distribuídos, especialmente nas cidades que visitará. Há também comentários e posicionamentos críticos que não servem senão para estabelecer um tipo de preconceito que não cabe neste país. Se é fato que no Brasil, hoje, a Igreja Católica não é o peso da maioria esmagadora da população, como há alguns anos, isso não altera a importância da visita, nem a necessidade de se oferecer ao visitante a mais quente acolhida que se deve dar a uma pessoa de sua postura moral.
Sem dúvida, e apesar de alguns problemas, esta nova visita do Papa servirá para reforçar a fé, entre os que professam a crença católica, e também como um fator de união, porque a mensagem pontifical é, justamente, a de aproximação entre os seres humanos, independente de sua crença. João Paulo II é um arauto da paz, da paz cristã, aquela que se fundamenta na valorização da dignidade humana, no respeito aos valores da vida, na luta contra todas as formas de injustiça, na busca do paraíso na Terra, conforme os ensinamentos do Rabi da Galiléia. Uma mensagem de tal magnitude, tão bem expressa por aquele homem que supera a doença, o cansaço, o desconforto, para levar a Palavra ao mundo, representa um fator positivo e chega ao Brasil em uma hora propícia, no momento em que os brasileiros tomam cada vez mais consciência de seu potencial.

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