EDITORIAL - O novo emprego de Moro
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sexta-feira, 04 de dezembro de 2020
Folha de Londrina 
Do ex-candidato à presidência da República em 2018, Ciro Gomes, veio a reação mais debochada e bastante compartilhada no Twitter sobre a decisão do ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, de se juntar ao corpo de funcionários da consultoria americana Alvarez & Marsal. “Malandrão”, disparou o cacique do PDT e a ironia se explica no fato de que a empresa com sede nos Estados Unidos é a responsável pela recuperação judicial de alvos da operação Lava Jato, entre elas a Odebrecht.
Sergio Moro, enquanto juiz federal da 13ª Vara Federal, em Curitiba, foi o responsável por processos em que diretores e ex-diretores da construtora eram réus.
Em comunicado ao mercado, a Alvarez & Marsal disse que o ex-juiz e ex-ministro da Justiça será o responsável por comandar a área de disputas e investigações a partir de dezembro. “Figura mais que conhecida nacional e internacionalmente, Moro agregará sua expertise jurídica e investigativa, somada a sua vivência na esfera governamental, aos projetos dos nossos clientes nesse importante momento de maturidade de governança das empresas não só no Brasil como no mundo”, afirmou.
Mas a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), assim como críticos do ex-juiz, políticos e juristas, não recebeu bem a novidade. Tanto que o Tribunal de Ética e Disciplina da seccional da OAB em São Paulo enviou uma notificação a Sergio Moro para que não exerça atividades privativas de advocacia.
Na notificação, a OAB alerta que o ex-juiz não pode advogar para clientes da empresa, para que “não incorra em violação aos preceitos éticos-disciplinares”.
Ao comentar a contratação em seu perfil no Twitter, Moro afirmou que não atuaria como advogado e não iria se envolver em casos que representassem conflitos de interesse.
É questionável a ida de Moro para um grupo que trabalha na recuperação judicial de uma empresa que, por decisões dele, enquanto juiz, acabou quebrando e seus dirigentes foram para a prisão.
Citando o jargão político (que já virou jargão geral), estamos diante de uma tremenda jabuticaba (algo que só acontece no Brasil).
Como garantir que as informações privilegiadas e relações construídas enquanto principal juiz da Lava Jato não beneficiarão os seus novos parceiros e clientes?
O dito popular “pagando bem, que mal tem” resumirá o desfecho de uma relação tão complicada – de amor e ódio, de herói e vilão - como a que o ex-juiz vive, hoje, com os brasileiros, tanto de esquerda como de direita?
Obrigado por ler a FOLHA!


