EDITORIAL - O mercado de energia
É grande o número de consumidores que migraram para o mercado livre de energia elétrica
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de setembro de 2025
É grande o número de consumidores que migraram para o mercado livre de energia elétrica
Folha de Londrina 
O avanço do mercado livre de energia no Brasil aponta para uma tendência que não tem mais volta. Estamos falando da diversificação das escolhas do consumidor e a descentralização do setor elétrico. Segundo levantamento da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), o número de consumidores que migraram para essa modalidade manteve ritmo acelerado no primeiro semestre de 2025.
Os dados revelam que mais de 13,8 mil unidades consumidoras aderiram ao ACL (Ambiente de Contratação Livre) entre janeiro e junho, o que representa um avanço de 26% em relação ao mesmo período do ano passado.
O Paraná desponta como protagonista, liderando em ritmo de expansão com aumento de 135% em comparação com o primeiro semestre de 2024. O estado se tornou exemplo de como a abertura do setor pode atrair tanto grandes empresas quanto pequenos consumidores, estimulando a concorrência e fomentando um mercado mais dinâmico. Outros estados, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, também registraram altas significativas, mas o destaque paranaense ilustra de forma emblemática o novo momento do setor.
Entre as principais empresas do país que atendem os consumidores do Mercado Livre de Energia está a Copel. A antiga estatal paranaense, além de atuar na distribuição, também ingressou no mercado livre por meio de sua divisão de geração e comercialização, tornando-se um dos principais players do setor.
Atualmente, o que se vê é um processo de democratização. Se antes o ACL estava restrito a grandes indústrias, agora o movimento de migração é impulsionado por pequenos consumidores e até pessoas físicas. A queda da carga média contratada, a multiplicação de varejistas e a diversificação regional demonstram que o acesso deixou de ser privilégio dos grandes centros e começa a alcançar todo o país.
Esse crescimento, contudo, traz desafios. A expansão precisa ocorrer de maneira eficiente, sustentável e segura, como alertam especialistas. A regulação, construída ao longo de décadas, deve ser continuamente aperfeiçoada para evitar desequilíbrios e assegurar uma transição justa.
Os dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica chegam na véspera da realização do 25º Encontros Folha, evento do Grupo Folha de Londrina que discute nesta terça-feira o tema transição energética. Na pauta estão o biometano, a energia solar e as vantagens para empresas e residências buscarem energia limpa e sustentabilidade. É uma discussão importante e que coloca o consumidor e o seu poder de escolha como a figura central desse processo.
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