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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 04/07/2022, 07:12

EDITORIAL - O jornalismo investigativo nunca foi tão necessário

Há fatos que, se a imprensa não revela e investiga, a sociedade não fica sabendo

PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de julho de 2022

Folha de Londrina
AUTOR autor do artigo

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A série de podcasts "Banco dos Réus", da Folha de Londrina, encerrou a primeira temporada na última quinta-feira (30) com o lançamento do sexto episódio, "Cartas nas Mesas", em que mostra para a audiência bastidores da produção da série. 

O sucesso do "Banco dos Réus" mostra o quanto o podcast, enquanto ferramenta de produção e distribuição de conteúdo relevante, caiu no gosto do brasileiro, como acontece já em outras partes do mundo. Segundo estimativa do instituto de pesquisa  e-Marketer  a audiência dos podcasts deve chegar a 23,5% da população mundial com conexão de internet até 2024. 

"Banco dos Réus" juntou audiodocumentário a um tema que a maioria das pessoas gosta: história de crimes reais. É o chamado "true crime", gênero que vem se popularizando principalmente após o surgimento das plataformas de streaming de vídeo e áudio. 

O série da FOLHA contou as histórias de cinco mulheres vítimas de crimes emblemáticos, ocorridos em Londrina entre os anos de 1989 e 2019. Dois aspectos chamaram atenção de quem acompanhou os episódios. Um deles foi a importância do trabalho da Polícia Científica na resolução dos crimes. 

No episódio três, que traz a história da professora de música Estela Pacheco, assassinada em outubro de 2000, a investigação dos peritos revelou um  elemento crucial para a elucidação do caso: a análise da mancha hipostática, ou seja, a presença de sangue estagnado na pele do cadáver permitiu concluir que a morte havia ocorrido horas antes da queda.  

É um trabalho de extrema responsabilidade. A dedicação e atenção na busca por detalhes são características de quem abraça esse ramo da segurança pública. E essas características precisam encontrar respaldo das autoridades de segurança no sentido de garantirem que a Polícia Científica terá equipamentos, modernas tecnologias, atualização constante na formação profissional e número de policiais suficientes para desempenharem um bom trabalho.  

O segundo aspecto diz respeito ao trabalho da imprensa investigativa. Recentemente, o país viu um exemplo do papel da imprensa na fiscalização do poder público, provavelmente, uma das missões mais nobres do jornalismo. Após a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro merece destaque, no escândalo em questão, a forma como começaram as investigações: tudo só ocorreu após uma reportagem do jornal O Estado de S.Paulo, revelando a existência de um gabinete paralelo no MEC (Ministério da Educação), que envolvia pastores cobrando propina até em barras de ouro. O que veio após a primeira denúncia ainda repercute, diariamente, em toda a imprensa e ressalta a importância do jornalismo investigativo no Brasil.  

Com o "Banco dos Réus", a FOLHA fez um resgate da memória de cinco crimes que abalaram Londrina e  ressalta que, em alguns deles, a sociedade ainda espera que a justiça seja feita. É o caso da morte de  Fernanda Estruzani, assassinada pelo marido, Marcos Panissa, que já foi julgado e condenado, mas está foragido e nunca passou um dia preso. 

Há fatos que, se a imprensa não revela e investiga, a sociedade não fica sabendo. E em um mundo atônito diante da tecnologia disponível pelos propagadores de notícias falsas e da rapidez com que elas se multiplicam, o trabalho da imprensa nunca foi tão necessário. 

Obrigado por ler a FOLHA!