EDITORIAL - O isolamento social e a violência doméstica
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de março de 2021
Folha de Londrina 
Bebês de até um ano estão entre as principais vítimas de violência contra crianças e adolescentes no Paraná, durante a pandemia do coronavírus. Esses crimes tiveram um aumento de incidência no último ano, desde o começo da pandemia.
A informação alarmante faz parte de um relatório divulgado pelo Comitê Protetivo, uma iniciativa do Consij/Cij (Conselho de Supervisão e Coordenadoria da Infância e Juventude), do Tribunal de Justiça do Paraná. O estudo mostra que agressões contra bebês de até um ano representam 7,3%, ou 220, dos 2.773 casos de violência infantil registrados ente 1º de janeiro a 23 de março deste ano no Estado.
No total, 2.977 crianças e adolescentes foram vítimas de algum tipo de violência. Os adolescentes estão no topo das agressões. Segundo o comitê, foram 251 casos de agressão em meninos e meninas com 14 anos; com 15 anos (331), 16 anos (342) e 17 anos (378).
Em reportagem que a FOLHA publica nesta quinta-feira, a juíza Noeli Salete Tavares Reback, coordenadora estadual da infância e juventude do TJ-PR e também do comitê, alertou que o isolamento social provocado pela pandemia, a reclusão das famílias e as limitações de trabalho de alguns órgãos de proteção contribuíram para elevar ainda mais os preocupantes números da violência infantil.
Muitos dos indícios de violência eram percebidos na escola, onde há equipes treinadas para perceber sinais de agressão. O isolamento social também afastou o contato de vizinhos e amigos, outra forma em que as denúncias chegavam aos órgãos competentes.
Os dados levantados pelo Comitê mostram ainda que o crime de lesão corporal foi o mais registrado entre 1º de janeiro de 2020 e 31 de janeiro de 2021, com 3.997 ocorrências.
O estudo também corrobora a informação de que a maior parte dos casos de violência infantil acontece dentro da casa e foram praticados por pessoas próximas às vítimas como cuidadores, pais, padrastos, avós e mães.
Curitiba lidera o número de registro de crimes contra crianças e adolescentes no Paraná com 3.645 ocorrências. Londrina está em segundo lugar, com 1.051.
Muito importante a iniciativa do comitê, que também lançou uma campanha, “Não cale a sua voz”, para alertar a sociedade da importância das denúncias e de falar diretamente com as crianças e adolescentes sobre a necessidade do rompimento do silêncio e da denúncia.
Quanto mais as formas de prevenção e proteção forem divulgadas, mais chances de romper com essa violência, que não pode ser encarada apenas como caso de polícia, descolada de um contexto social e cultural.
Obrigado por ler a FOLHA!


