A verdadeira novela em que se converteu a questão do pedágio nas estradas do Paraná confirma o conceito segundo o qual tudo o que começa mal, termina pior. A tese do pedágio é válida: quem usa a estrada paga, e em contrapartida aquele que recebe oferece condições adequadas para o trânsito. Uma coisa fica ligada à outra: o usuário paga para ter uma rodovia em condições, preservada, segura, oferecendo tranquilidade ao motorista. Adicionalmente, uma estrada conservada, sem buracos, bem sinalizada, também representa economia. O que se desembolsa no pedágio é bem menos do que custa a manutenção de um caminhão que trafega pelas buraqueiras chamadas de rodovias que existem aqui e pelo País todo.
No Paraná, o projeto começou ao contrário: ao invés de se oferecer estradas mais seguras, passou-se a cobrar o pedágio primeiro. Houve até quem fizesse alusão ao fato de que a única obra realizada antes de se iniciar a cobrança foi a construção das praças do pedágio. O segundo equívoco, pelo que se depreende de decisão posterior do governo do Estado, foi estabelecer tarifas elevadas demais. Buscando corrigir esta falha, o governo estadual determinou diminuição de 50% nos valores. Daí, houve o natural recurso à Justiça das empresas concessionárias e agora saiu uma liminar interessante: os preços reduzidos estão mantidos, mas as empresas que recebem o pedágio estão dispensadas de investir em novas obras que também justificariam a cobrança da taxa.
O Estado pode recorrer, e certamente irá fazê-lo. Mas é fora de dúvida que o processo precisa ser agilizado porque na situação atual só existe um único e grande prejudicado, o usuário, que está pagando, que usa uma estrada pública e que para sua efetiva segurança precisa que as obras previstas sejam efetivamente executadas pelas concessionárias. Pela liminar, as empresas se obrigam agora apenas pelos trabalhos de manutenção e conservação. É uma situação absurda, que não pode persistir por muito tempo. O governo do Estado precisa se posicionar com rapidez, agir com eficiência junto à Justiça e, em última instância, até romper os contratos, reassumir as rodovias e buscar outra solução.
A situação do governo do Estado é ainda mais complexa diante da campanha eleitoral em curso. Em política, tudo se mistura. E em uma campanha, todos os assuntos são válidos. O pedágio, pela reação que provocou desde que foi implantado, já era um verdadeiro problema para o governo. A decisão de reduzir o valor cobrado serviu, entre outras coisas, para aliviar um pouco as críticas. Estradas em melhores condições, mais seguras, a esperada redução no total de acidentes seriam fatores que complementariam a argumentação oficial de modo a esvaziar os ataques da oposição em busca de votos.
De repente, o quadro fica complicado. Persiste o pedágio e não há indicação de obras que o justifiquem. Além disso, o índice de acidentes continua elevado e embora não se possa ligar um fato ao outro, é certo que não faltarão os que irão se aproveitar também desta realidade. A solução, o pedágio, acabou se convertendo em novo problema. E não há como deixar de sentir que o assunto precisa ser resolvido rápida e eficientemente. Quanto mais tempo demorar, pior será para os motoristas, naturalmente. Mas o governo também enfrentará as consequências disto.

mockup