Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria revelou que 58% dos brasileiros têm medo de perder o emprego. Dentre as pessoas ouvidas, 72% apontaram o desemprego como o problema mais grave do País. O levantamento foi feito pelo Ibope, entre os dias 12 e 16 deste mês. Outro dado importante é que 60% dos entrevistados esperam o aumento do desemprego nos próximos três meses. Em comparação com a pesquisa anterior, feita em julho, o pessimismo em relação ao emprego subiu (antes era de 48%). Também aumentou o número de pessoas (de 32% para 46%) que esperam que a inflação vá aumentar. Os técnicos da CNI avaliam que os brasileiros associam a instabilidade econômica à volta da inflação. Por outro lado, o desemprego não cedeu em agosto. De acordo com a pesquisa mensal do Dieese-Seade, a taxa no mês foi de 18,9%, idêntica à de julho.
O diretor-executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Marton Branco, afirma que a elevação da taxa de juros, determinada pelo governo este mês, não está ainda se refletindo nos números do desemprego de setembro, e provavelmente nem influenciará nos de outubro. Ele estima que somente 60 dias após o aumento serão sentidos os efeitos da medida do governo sobre a taxa de desemprego. Efeitos negativos, no entender do especialista. Para o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça, a perspectiva não é boa; ao contrário dos anos anteriores, quando o nível de emprego tem melhora nos últimos meses, em 1998 a taxa deverá ficar estável nesse patamar extremamente alto. Marton Branco e Mendonça não esperam também um bom início de 99 na questão do emprego.
O temor em relação ao desemprego é natural, até pela situação real, revelada na pesquisa Dieese-Seade. Por outro lado, a informação adicional segundo a qual atualmente o desemprego constitui o grande problema do mundo, não ajuda em nada. Pelo contrário, produz mais inquietação por revelar que o drama tem dimensão maior. Hoje, mesmo nos países de economia mais forte não se consegue encontrar soluções capazes de garantir ao ser humano condições de acesso a uma atividade que propicie a possibilidade de se manter e à família. A impressão que se generaliza é a de que o mundo está diante de um desafio aparentemente insuperável. Também por isto, são muitos, como os citados, os que fazem previsões negativas em relação ao futuro.
Este quadro revela que tanto aqui no Brasil, como no resto do mundo, é necessária uma profunda mudança na forma de atacar o problema. A realidade mundial que se descortina deixa claro que as fórmulas antigas, que serviram por muito tempo, já não valem mais. O mundo vive uma transformação tão grande neste final de século, que supera em muito até as mudanças que aconteceram ao final da Segunda Guerra Mundial. Aquela época foi um autêntico divisor, não só do século - era a metade -, mas da trajetória da raça humana. Nos anos precedentes, contados os 1950 da era cristã e os 3 mil antecedentes, da História, o mundo evoluiu pouco, em comparação com o que aconteceu nesta última metade do século 20. E, neste final de milênio, as transformações estão atingindo velocidade maior.
Isto sinaliza para a necessidade de transformações amplas nos conceitos e na forma de enfrentar os grandes problemas, inclusive o do emprego. O desafio, no Brasil como no mundo, é precisamente o de se adotar mudanças - aqui, inicialmente, na própria regulamentação do trabalho -, produzindo-se bases capazes de responder concretamente às necessidades da sociedade do século 21.

mockup