Nunca o mundo teve tanta gente como agora. Neste ano, a população mundial deve chegar a inéditos 6 bilhões de pessoas, um total que chega a assustar diante da complexidade de necessidades que este número reclama. Em realidade, esta explosão populacional decorre da melhoria da qualidade de vida no mundo, do fato de não ter ocorrido, nos últimos 50 anos, nenhum conflito como a II Guerra Mundial, da evolução da medicina, enfim de tantos fatores importantes que, por si, constituem até a esperança de que os problemas e necessidades desta população poderão ser resolvidos. Todavia, é certo que os obstáculos para atender a tanta gente, as dificuldades para garantir a todos um mínimo de condições de vida, são imensos. É preciso alimentar esta população e, se hoje isso já é difícil, a tarefa vai se tornando mais complicada. O desafio deixa claro que os ecologistas, com suas queixas e movimentos, têm estado certos. Para conseguir garantir à população mundial um nível mínimo de vida é fundamental que o homem preserve o ambiente e trabalhe com ele, evitando a destruição sistemática que tem marcado a passagem do ser humano pelo planeta desde que se ergueu sobre duas pernas e se tornou o ‘rei da criação’.
Para atender à população é preciso que haja, basicamente, ar e água, bens que, como todos os demais, estão sendo desperdiçados e destruídos. A questão da água, vital para a sobrevivência do ser humano e do próprio planeta como o conhecemos, é básica. E é inegável que se faz necessário um trabalho imenso no sentido de garantir que haja água para atender às necessidades dessa gente que vai chegando e forma uma multidão que cresce a cada dia. Ontem, no Dia Mundial da Água, foi criada no Cairo a Comissão Mundial sobre a Água para o Século XXI, destinada a sensibilizar a opinião pública mundial sobre os riscos de falta de água potável a curto prazo. A comissão é composta de personalidades de numerosos países e de cientistas, entre eles vários prêmios Nobel e terá na presidência o egípcio Ismail Serageldin. ‘‘O problema da água se resume a uma equação simples e inquestionável: daqui até o ano 2025, será preciso aumentar em aproximadamente 20% a quantidade de água potável disponível no mundo para suprir as necessidades de bilhões de pessoas’’, afirma a Comissão da Água, que começa hoje, oficialmente, suas atividades.
Apoiada por todas as agências das Nações Unidas e pelo Banco Mundial, a comissão foi criada para chamar a atenção da opinião pública sobre a crise da água e buscar soluções. Pretende ser o vínculo entre os cientistas, economistas, agrônomos e outros especialistas que trabalham sobre a questão da água no mundo, a fim de elaborar soluções. Segundo os defensores desta visão mundial do problema, está sendo feito um grande esforço para que se leve em conta a relação entre falta de água e segurança alimentar.
Atualmente, sofrem a falta de água cerca de 500 milhões de pessoas em 29 países. Mas esse número pode chegar aos 2,5 bilhões de seres humanos até 2050. ‘‘A água é a vida. A falta de água potável surge agora como um obstáculo importante para a segurança alimentar, a luta contra a pobreza e a proteção do meio ambiente’’, estima Ismail Serageldin, que é também vice-presidente do Banco Mundial. A comissão inicia seus trabalhos com uma advertência à comunidade internacional: ‘‘Estamos desde já diante da falta de água. E a partir de agora a crise se agravará cada vez mais. Se não conseguirmos superar essa escassez, haverá um encarecimento dos alimentos e dos produtos importados nos países que sofrem a falta de água, em sua grande maioria pobres. E já existem 800 milhões de pessoas ameaçadas pela fome’’, acrescentou. O que se tem pela frente é uma luta visceral pela vida em nosso planeta - ele, que traz Terra no nome, mas que tem na água o combustível indispensável para a garantia de seu futuro.

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