O Brasil registrou em agosto uma rara deflação de -0,11% no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), após alta de 0,26% em julho. O movimento, embora positivo, precisa ser contextualizado. A queda foi influenciada principalmente por fatores pontuais, como o desconto na conta de luz, decorrente do chamado Bônus de Itaipu, e pela redução nos preços de alimentos e combustíveis.

Os dados do IPCA foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em julho, o índice tinha ficado em 0,26%. Essa deflação (inflação negativa) é a primeira desde agosto de 2024 (-0,02%) e a mais intensa desde setembro de 2022 (-0,29%).

Com o resultado de agosto de 2025, o acumulado de 12 meses chega a 5,13%, abaixo dos 5,23% dos 12 meses terminados em julho, mas ainda acima da meta do governo, de até 4,5%.

Em relação à conta de luz, houve um recuo de 4,21% no mês, representando impacto negativo de 0,17 ponto percentual (p.p.), figurando como o subitem que mais puxou a inflação para baixo. Com isso, o grupo habitação recuou 0,90%. Essa queda, nesse conjunto de preços, foi o maior para um mês de agosto desde o início do Plano Real, em 1994.

O grupo alimentação e bebidas (-0,46%) caiu pelo terceiro mês seguido. O de transportes (-0,27%) também ajudou a deixar o IPCA negativo. Nesses três meses, os alimentos acumularam queda de -0,91%. O de transportes (-0,27%) também ajudou na deflação.

Fernando Gonçalves, gerente de pesquisa do IBGE, calcula que os grupos habitação, alimentação e transportes somados representam -0,30 p.p. na inflação. “Sem eles, o resultado do IPCA de agosto ficaria em 0,43%”, diz.

Os grupos comunicação e artigos de residência também tiveram deflação, os dois com -0,09% de variação e impacto nulo (0 p.p.) no índice.

Em relação a setores com alta no índice, merece atenção a elevação dos preços em áreas como educação, saúde e vestuário, que continuam pressionando o orçamento das famílias. Isso indica que a deflação observada não representa uma tendência de queda generalizada, mas sim o reflexo de ajustes específicos e passageiros.

A leitura correta dos números exige, portanto, cautela O resultado de agosto não elimina a necessidade de vigilância sobre a trajetória inflacionária, especialmente em um contexto em que fatores externos, como choques de oferta e variações cambiais, seguem como riscos latentes.

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