Editorial - O caminho da união
A Federação do Comércio de São Paulo, a Associação Comercial de São Paulo, o Sindicato da Indústria da Construção Civil (SindusCon) e a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT) aderiram ao pacto pela produção e o emprego, proposto pela Fiesp, CUT e Força Sindical. Durante café da manhã, realizado ontem na sede da Força Sindical, empresários e sindicalistas anunciaram a união em torno da bandeira de redução de juros e reativação imediata da economia. Segundo o vice-presidente da Associação Comercial, Alencar Burti, o País está em recessão há 60 dias e não aguentará remédios mais amargos daqui para a frente. O vice-presidente de Relações entre Capital e Trabalho do SindusCon, Artur Quaresma, afirmou que a indústria da construção civil fechou 30 mil empregos, do total de 440 mil, desde maio e teme o futuro próximo do setor. Quaresma disse que não quer pedir cabeças ao governo, e sim revisão das metas do ano. Empresários e sindicalistas prometem comparecer à manifestação na Fiesp, marcada para segunda-feira, que proporá mudanças na política econômica. Na terça-feira, a Associação Comercial promoverá outro café da manhã, reunindo capital e trabalho, para mais um protesto com intenção de pressionar o governo.
É bastante elucidativa a percepção sobre esta nova realidade que se desenha no país, quando empresários e trabalhadores se unem para enfrentar uma situação grave e que deveria preocupar todos os setores da sociedade. O que continua a faltar, porém, como salta aos olhos, é a sensibilização por parte do governo, que está sufocando a iniciativa privada e precisa mudar seu procedimento, até como um imperativo para atender aos reclamos desta fase de mudanças na história da humanidade.
A crise não é só brasileira. Entretanto, é fora de dúvida que as coisas poderiam ser bem mais amenas no país caso tivesse havido um trabalho melhor por parte dos governantes. O avassalador e crescente déficit público é, sem dúvida, o mais claro atestado da falta de objetividade do governo, que continua a errar e a abusar do povo. Faltam medidas de apoio à atividade produtiva, faltam idéias construtivas e, principalmente, falta vontade real de transformar as atuais estruturas. É preciso reduzir a carga que pesa sobre a população e produzir alternativas efetivas para que o país supere esta recessão e inicie uma caminhada objetiva de resgate da dignidade dos seus cidadãos.
O Brasil precisa, efetivamente, de um grande pacto. E o importante é que a base para isto surgiu, quase que espontaneamente, entre empresários e trabalhadores. Resta que a terceira parte deste tripé, o governo, igualmente se conscientize de sua missão e passe a agir em conformidade com ela. Não se trata de persistir na idéia, aparentemente dominante, de uma autoridade que insiste em tentar resolver problemas sem querer assumir os sacrifícios disto decorrentes. E o que é pior: sem aprofundar as questões para perceber que é vital aproveitar o momento propício para encetar a grande arrancada que o país espera. O resultado positivo obtido com a execução do programa de estabilização da economia indica, por si, os caminhos. A inflação, apesar de tudo, parece domada. Agora, é a hora de uma união de esforços e de uma caminhada conjunta entre governo e povo para criar condições efetivas visando o grande resgate que todo o Brasil precisa e espera.
Capital e trabalho descobriram que não são antagônicos ou rivais. Falta agora o governo se juntar a estes segmentos para abrir a frente definitiva de progresso que o Brasil pode alcançar. As três forças unidas darão ao País o suporte para esta grande caminhada.





