O governo deverá reduzir os impostos incidentes na compra de tratores e colheitadeiras para permitir a renovação do parque nacional de máquinas agrícolas, reduzindo o preço de venda ao consumidor em até 20%, dos quais 5% serão dados em desconto pelas montadoras. A informação foi divulgada pelo ministro da Agricultura, Francisco Turra, que adiantou que a proposta tem o objetivo de reduzir as perdas na colheita de grãos, estimadas em até 20% da produção. O Brasil perde, anualmente, cerca de 10 milhões de toneladas de grãos, em decorrência principalmente de um parque antigo de máquinas, conforme observou o ministro, abordando pela primeira vez um problema que há muito já havia sido colocado, inclusive pelo ex-ministro e senador José Eduardo Vieira. Adicionalmente, a medida também deverá favorecer a geração de empregos com o aquecimento das vendas no setor de máquinas em, no mínimo, 30% ao ano.
A questão é simples e mostra como o Brasil foge, sistematicamente, da solução de todos os seus problemas. Pois a resposta está no campo. Não há país no mundo que tenha as condições do Brasil para promover uma excepcional guinada em seu destino, apenas atendendo à sua vocação que é a de produzir alimentos capazes de suprir as necessidades de sua população e de grande parte dos habitantes do mundo. Praticamente tudo é favorável. Falta apenas a fundamental vontade política para enveredar por este caminho, abrindo condições no sentido de solucionar todos os desafios que o país enfrenta.
No passado, o Brasil fugiu desta vocação por considerar, erroneamente, que a agricultura constituía uma vocação secundária. Com a explosão industrial, lançou-se a idéia de que um país com vocação agrícola estava condenado a ocupar o segundo plano no contexto mundial. Um equívoco tremendo, que não levava em conta o fato de que as nações com grande desenvolvimento industrial tinham base no campo. E o esforço colonial dos países europeus era nesse sentido: com território limitado, buscavam ampliá-lo através das conquistas nos chamados novos continentes. Sem este problema, possuindo não só território mas ótimas condições climáticas, o Brasil simplesmente deu as costas ao campo.
A desoneração fiscal das máquinas agrícolas abre caminho para a modernização do setor e constitui o primeiro passo de um processo que o Brasil deve seguir com coragem e disposição. É o passo certo, até porque enfrenta o desafio do desperdício, que há muito deveria estar sendo enfrentado. A simples recuperação do que se perde em função de máquinas velhas e malconservadas constitui elemento vital para a melhoria na produção, com todas as suas consequências. Trata-se, no caso, de obter melhor rendimento sobre a área plantada, o que propicia a possibilidade, inclusive, de redução no preço dos alimentos, com ganho para o consumidor.
Este, porém, precisa ser o primeiro de muitos passos no caminho da real valorização do campo como ponto de partida para o salto do Brasil em busca de uma situação melhor para os brasileiros. Quem vê o anseio dos sem-terra por um pedaço de chão para produzir, quem percebe o drama dos bóias-frias, inchando as periferias das cidades e sem perspectivas para a própria vida, quem conhece a miséria e a fome deste país há de perceber que a solução para tudo isto, e muito mais, está no campo. O que é preciso é uma política consequente e firme de apoio à produção. Facilitar a compra das máquinas é um bom começo. Mas é necessário investir mais, dar aos produtores apoio financeiro e técnico, garantir preços e condições, assegurar a produção e, depois, colher progresso e desenvolvimento.

mockup