Editorial - O caminho certo
A agricultura do Paraná vai fechar o ano com faturamento próximo a R$ 9 bilhões, um crescimento de 5 a 6% acima da inflação, apesar do recuo de preços de alguns produtos. Estes números falam por si e indicam claramente que o investimento no campo continua a ser o melhor caminho não só para o Estado mas para o País, com vistas ao crescimento econômico aliado ao desenvolvimento social. Este é o setor que responde melhor e mais rapidamente ao trabalho. O que se aplica nele é investimento de retorno garantido. Aparentemente, dizer que a agricultura, a pecuária e a agroindústria são fatores fundamentais para o crescimento da economia, gerando empregos, multiplicando os investimentos, garantindo recursos para o abastecimento interno e para o mercado externo, soa como obviedade. Mas mesmo o óbvio às vezes é desprezado.
Este caminho ainda pode oferecer muito aos brasileiros, dependendo apenas da continuidade de um trabalho de apoio real. Na verdade, houvesse o Brasil se voltado para sua primeira e maior vocação, a agrícola, já poderia estar hoje em outra situação, ocupando o lugar que merece como uma potência mundial de primeira ordem. Infelizmente, persistiu por muito tempo a idéia de que esta vocação colocava o país em segundo plano na escala mundial. Um equívoco que custou caro e que não se sustenta sob qualquer análise. As grandes potências de hoje tiveram sempre uma base agrícola, o que é absolutamente necessário. Países de pequena extensão territorial, que explodiram como potência a partir do final do século passado, resolveram o problema através do domínio sobre outros povos, caso específico da Grã-Bretanha que, em certa época, dizia que o Sol nunca se punha sobre seu território. Com a base colonial, criaram-se as condições para a sua explosão industrial e a consequente transformação em potência.
Com o fim da era colonial, ao final da II Guerra Mundial, passou a prevalecer a importância do território. O poderio britânico caiu, o mesmo ocorrendo com a prevalência da França. Era a oportunidade para nações de grande extensão territorial, como o Brasil, atingirem afinal o seu destino. Isto tem ainda maior importância neste final de século, quando a população mundial crescente reclama alimentos. E entre os países do mundo, o Brasil é um dos que tem plenas condições de atender a esta necessidade, produzindo o suficiente para o consumo de sua população, com sobras para ajudar a alimentar o mundo. E, com toda a evolução que se antecipa para o próximo milênio, não há dúvidas de que o poder agrícola vai ser até maior que o atual poder do petróleo.
O País parece acordar para esta nova realidade. O crescimento da produção paranaense e o aumento no faturamento do campo são dados significativos para reforçar a importância do setor. É neste vasto campo, neste potencial imenso que o Brasil tem, que está a resposta para alguns dos maiores problemas nacionais, desde o da miséria do povo, passando pelo desemprego e chegando ao crescimento (sem inflação), através da exportação de alimentos e até de energia (álcool, por exemplo) de que o mundo carece.
A receita é óbvia. Basta apenas que haja uma política justa, concreta e contínua para estimular o setor e os resultados virão.





