Para fugir ao vexame de uma nova derrota, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, anunciou que o Brasil retirou sua candidatura a sediar o Mundial de 2006, devendo apoiar a candidatura da África do Sul. Em troca, os países africanos prometem apoio à candidatura do Brasil à organização da Copa do Mundo de 2010, seguindo o princípio da alternância entre os continentes. A FIFA deverá escolher amanhã a sede da Copa do Mundo de 2006. A decisão de apoiar a África do Sul, explicou Teixeira, baseou-se no acordo das federações sul-americanas para evitar que a Europa organize um novo torneio depois do Mundial de 1998, realizado na França. O presidente da entidade brasileira garantiu que, com o apoio do Brasil, a candidatura africana será vitoriosa. O dirigente evitou especular sobre o destino que terão os votos que a candidatura brasileira já considerava garantidos em seu favor, como o de vários países árabes e centro-americanos. Além do Brasil, pela América Latina, votam Argentina e Paraguai. A América Central e do Norte têm três votos, a Ásia possui quatro, a África outros quatro, a Europa tem oito e a Oceania um, sem contar o do presidente da Fifa, Joseph Blatter. A renúncia do Brasil já era considerada uma opção dentro da CBF há uma semana. Essa tendência acabou por se consolidar ao final da semana passada, quando o jornal inglês ‘The Times’ revelou um documento reservado da Fifa, que coloca a candidatura brasileira e a do Marrocos no nível dos ‘‘sem chance de vitória’’. Segundo esse mesmo documento, a milionária candidatura da Inglaterra se situa num plano intermediário, enquanto que a da África do Sul e Alemanha eram mencionadas como favoritas.
A desistência das autoridades do futebol brasileiro em tentar organizar a Copa do Mundo surge, assim, como uma decisão natural diante da perspectiva de fracasso neste novo pleito. Há anos o Brasil vem tentando promover um evento de nível mundial (recentemente, alguns milhões foram postos fora na tentativa de se promover uma Olimpíada), sem sucesso, inclusive porque dentro mesmo do país surgem fortes resistências à idéia. Com efeito, personalidades importantes da vida esportiva, como o sempre respeitado Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, têm se posicionado contra esta pretensão. Há os que consideram que faltam condições concretas ao País para organizar eventos de tal porte, em meio à miséria que aflige ainda ponderável parcela da população. Do mesmo modo, é forte a oposição diante de situações duvidosas que cercam parcela do mundo esportivo brasileiro.
O futebol é, para os brasileiros, assunto da maior relevância. Infelizmente, tem sido para alguns aproveitadores uma oportunidade de auferir popularidade fácil. Isto sem falar de tantas e quase nunca bem explicadas negociatas que envolvem o mundo da bola. A famosa e antiga frase segundo a qual o futebol brasileiro só tem organização e competência dentro das quatro linhas do campo de jogo continua a valer hoje. O Brasil é um celeiro de craques e uma nação de apaixonados pela bola. Mas o seu futebol tem sido, também, apenas um instrumento para abusos de toda sorte que culminam agora com o confronto entre a Fifa e a Justiça do Brasil. A disputa está, inclusive, impedindo a CBF de organizar qualquer campeonato sob pena de afrontar ou a entidade maior do futebol ou a Justiça brasileira. Esta é, sem dúvida, uma questão relevante: uma entidade que não pode promover sequer um campeonato nacional, que possivelmente vai ter de usar ‘jeitinhos’ que inclusive vão ferir conquistas (ou derrotas) dentro do campo, não tem condições de pleitear a organização da maior competição de futebol do mundo.

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