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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 22/01/2022, 01:39

EDITORIAL - O alto custo do tratamento da Covid-19

Quando a pandemia do coronavírus foi decretada ficou evidente o viés oportunista de alta de preços

PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de janeiro de 2022

Folha de Londrina
AUTOR autor do artigo

Foto: iStock
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Quando a pandemia do coronavírus foi decretada em março de 2020 começou a ficar evidente o lado oportunista de comerciantes e empresários pelo mundo todo ao se beneficiarem de uma situação de calamidade e de escassez de produtos para subir os preços de itens como álcool em gel e máscaras descartáveis. No Brasil, não foi diferente. 

Dois anos depois, em janeiro de 2022, a situação não mudou muito, embora tenha caído o valor desses itens muito usados pela população em geral.

A questão é que ao contrário desses produtos de grande procura em farmácias, os insumos usados em hospitais para tratamento da Covid-19 chegaram a registrar alta de 1.500% em 24 meses. Os motivos enumerados por especialistas são vários: falta de matéria prima para produção de medicamentos; grande procura por insumos hospitalares; variação cambial e a alta da inflação registrada nos últimos dois anos contribuíram para elevar os custos de manutenção dos hospitais. Ou seja, "a tempestade perfeita".  

No primeiro semestre do ano passado, quando o Brasil viveu o auge da pandemia de Covid-19, com a imunização da população ainda em fase inicial, o agravamento dos casos clínicos e a superlotação nos hospitais, os preços de remédios e EPIs (equipamentos de proteção individual) dispararam. Para se ter uma ideia,  o HU (Hospital Universitário) de Londrina teve um aumento de quase 150% nos valores empenhados na comparação com o período pré-pandemia.  

  icon-aspas (...) os insumos usados em hospitais para tratamento da Covid-19 chegaram a registrar alta de 1.500% em 24 meses
  

A luva descartável teve um aumento exacerbado de preço. A caixa que custava R$ 14, custa R$ 30, mas no auge da pandemia os hospitais chegaram a pagar R$ 96 (585% de aumento). Entre os medicamentos, um dos mais básicos teve alta expressiva no período. A dipirona injetável, cuja ampola de cinco mililitros custava R$ 0,50, no início de janeira de 2022 era vendida por R$ 5,78, uma diferença de 1.056%. 

O rocurônio, sedativo amplamente utilizado para auxiliar na intubação de pacientes, antes da pandemia custava R$ 12 a ampola. No auge da doença, em 2021, chegou a custar R$ 195, aumento de 1.525%. Hoje, baixou para R$ 30, mas o valor ainda está 150% acima do praticado há dois anos.   

Sabe-se que enquanto tiver pandemia e a matéria prima para vários produtos continuar faltando no mercado, os preços dificilmente voltarão ao patamar de antes de março de 2020.

Aos olhos da população, nenhum negócio está sendo mais bem sucedido neste período de pandemia do que a indústria farmacêutica. Mas como se explica aumentos de mais de 1.000% em uma situação de guerra contra um inimigo poderoso e invisível? 

O que se espera é bom senso e o mínimo de solidariedade de empresários e comerciantes para não haver aumento abusivo de preços em momentos de crise sanitária e econômica. E, claro, fiscalização eficiente do poder público. 

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