Editorial - Números do pedágio
Quando uma das concessionárias do pedágio - a Viapar - começou a contabilizar o que ela denomina prejuízo, pela recente decisão judicial que a impediu de cobrar a tarifa no trecho Cascavel-Ubiratã, números antes tão difíceis de obter começam a aparecer, por informação da própria assessoria de imprensa da empresa.
Então, já se sabe que pelo menos 3.000 veículos passam diariamente por aquela praça de pedágio. Se multiplicamos esse número pelos R$ 4 pagos apenas por carro de passeio, temos a receita diária de R$ 12 mil. Mas veículo de maior porte paga mais, com um caminhão chegando a até R$ 26,40, e então pode-se calcular, a grosso modo, R$ 15 mil/dia, que multiplicados por 26 praças de pedágio resultam em R$ 390 mil/dia. Multiplicando-se esse montante por 365 dias, a arrecadação anual atinge R$ 142,35 milhões.
Um policial rodoviário, contudo, informou que transitam por esse trecho 4.000 veículos/dia. Nesse caso, a soma subiria para R$ 180 milhões. Como as concessionárias já estão arrecadando há 2 anos, o montante total da receita chega a R$ 360 milhões.
Um quilômetro de estrada asfaltada simples (sem obras de artes, como pontes) custa de R$ 800 mil a R$ 1 milhão, e se o dinheiro arrrecadado pelas concessionárias fosse inteiramente destinado à construção de rodovias, seria possível implantar um trecho novo de asfalto que cobriria a distância de Londrina a Curitiba, ou seja, a segunda pista da Estrada do Café. Óbvio que as concessionárias não dispõem de todo esse dinheiro para obras de construção, pois entraram no negócio sem suporte - nem o governo o exigiu - e tiveram que correr aos bancos até para implantação da própria estrutura arrecadadora, que foram os portais de cobrança, e hoje têm que cobrir o custo desses empréstimos.
Os números citados, se não estão plenamente corretos, também não são aleatórios, e têm base na informação, que só agora chega ao público, de que apenas numa praça de pedágio trafegam 4.000 veículos/dia. Basta ir fazendo contas, tomando-se a média entre as tarifas, que começam com R$ 2,6 e vão subindo até R$ 9 para carros de menor porte, e aí disparam para valores que vão de R$ 9 a até R$ 26,4, para os grandes veículos.
Se as concessionárias e a Secretaria dos Transportes tiverem os números exatos, esta é a oportunidade de mostrá-los, e se não o fizerem, continuarão na posição de omissas, como têm estado até aqui. É, no mínimo, obrigação da secretaria prestar contas aos usuários, mostrando claramente o que rezam os contratos, volume de investimento das concessionárias, valores arrecadados, obras de manutenção realizadas nas rodovias pedagiadas, trechos novos construídos, e, ademais, quanto dessa receita cabe ao governo e o que tem sido feito com ela.
Enquanto a Justiça não decide o destino desse sistema de pedágio, que não se sabe se terá vida longa porque contesta-se a constitucionalidade do modelo implantado, o governo ao menos deve ao povo essa prestação de contas.





