Reduzir alíquotas tributárias é um dos meios mais simples e concretos de propiciar as condições necessárias para reaquecer as atividades, trazendo na esteira resultados muito positivos sobre toda a economia. O próprio governo, que com a medida vê reduzir sua arrecadação num primeiro momento, também acaba se beneficiando com os efeitos benéficos em todo o universo da economia. No Brasil inflacionário de antes do real, naturalmente, isto não funcionava. Vale lembrar que naqueles tempos caóticos, com a inflação atingindo patamares absurdos, nenhuma das leis da economia poderia trazer resultados. Hoje, o quadro se mostra muito diferente. Pode-se perceber isto claramente nas questões mais simples, como as recentes flutuações nos preços de produtos como arroz, feijão ou óleo de soja. Devido à escassez destes itens em dado momento, houve alta nos preços. Quando o mercado se regularizou, os preços voltaram aos patamares anteriores. Assim funciona uma economia civilizada.
O governo decidiu cortar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o crédito ao consumidor e sobre os financiamentos para a compra de imóveis não residenciais para colocar a economia na trajetória de crescimento de 2% no ano e de 4% na margem em dezembro. A medida foi adotada diante da constatação de que a atividade econômica não estava sendo mantida nos padrões reclamados pela própria situação que o País está vivendo. Assim, optou-se pela redução com a finalidade de produzir o impulso necessário, neste momento, à atividade econômica. Os cálculos da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda mostram que, com a redução do IOF, há espaço para o consumo crescer na faixa de 4% a 5%., com todos os efeitos positivos disto decorrentes.
A reação do candidato petista à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, além de esperada, é sintomática. Lula disse que o presidente está querendo fazer às vésperas da eleição o que deveria ter adotado nos três anos e meio de governo e classificou a diminuição nas alíquotas como ‘chantagem eleitoral’. Mas o candidato da oposição não contestou a medida em si. Lula pode ter até razão quando considera o efeito eleitoral da iniciativa. Todavia, isto não a invalida. E, na verdade, o que não se poderia exigir do governo é que, às vésperas das eleições, simplesmente deixasse de adotar providências importantes porque poderiam ser consideradas um chamariz para o voto.
A verdade é que tudo que um político faça no exercício do mandato, desde que assume até deixar o posto, pode ser considerado manobra político-eleitoral. Nos Estados Unidos, onde a reeleição dos chefes do Executivo existe desde a Independência, diz-se que um presidente começa a campanha pela reeleição assim que assume o cargo pela primeira vez. É uma dinâmica que não pode sequer ser contestada. Não se deve avaliar se as medidas que os governantes adotam vão resultar em mais votos nas futuras eleições, mas sim se são efetivamente importantes e oportunas. Sob este aspecto, não há como questionar a iniciativa. Poderia, sem dúvida, como assinala o candidato da oposição, ter sido adotada antes.
O fundamental, porém, é perceber que a medida surge num momento vital em que se reclamavam ações concretas para reverter o quadro de desemprego. Outras, seguramente, devem se seguir, até porque as dificuldades que ponderável parte da população enfrenta não podem esperar pela definição das urnas de outubro.

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