Editorial - Novo ano, nova vida
Ainda que fosse apenas uma convenção humana, a idéia da passagem de ano, a crença na mudança, o pensamento relativo ao novo que perpassa esta época e, especialmente, o dia 1º de janeiro, seria por si valiosa. Mas não é apenas uma convenção. Existe uma modificação, a Terra completa um ciclo em sua constante viagem ao redor do Sol e tudo começa outra vez. Isto se percebe facilmente na simples observação relativa aos efeitos do tempo sobre tudo, as pessoas, as coisas, os animais, a própria natureza que se modifica a cada estação. O tempo, que alguns chamam de quarta dimensão, deixa suas marcas sobre tudo e sobre todos. E se é certo que produz com sua passagem, especialmente sobre os seres humanos, uma deterioração contínua, também é adequado sentir que cada passagem de ano significa igualmente uma espécie de restaurar de esperanças, dá a idéia de um recomeço, produz o efeito positivo de uma nova oportunidade.
Esta possibilidade de começar de novo mexe com a imaginação das pessoas e dos povos. E embora se saiba que passados os primeiros dias de janeiro a ilusão do novo se mistura com a desilusão dos dias iguais, ainda persiste a verdade da mudança, que se torna possível a partir da vontade individual ou coletiva. O ano que nasce traz em si, sempre, uma espécie diferente de semente, chamada esperança, que pode germinar desde que o ser humano perceba o potencial disto e entenda a profundidade do seu próprio valor, pessoal e coletivo, e se disponha a lutar pela mudança. Na verdade, qualquer época é propícia para isto. O ser humano pode decidir em qualquer tempo que quer modificar sua vida, que pretende iniciar uma nova fase, vencer vícios, superar traumas. A magia que existe, porém, no primeiro dia de um novo ano do calendário sob o qual se vive, produz uma indução maior, global, e por isto, eventualmente, mais forte.
O Brasil, chamado há tempos de País do futuro, tem realizado nos últimos anos um processo de mudanças fantástico, tendo como base principalmente a retomada de sua auto-estima, a percepção de seu valor. Os sucessos econômicos obtidos nos anos recentes, frutos sem dúvida de um programa inteligente de Governo, mas inegavelmente consequência direta da ação efetiva do povo que tem lutado conscientemente para garantir o resultado, serviram para forjar um novo senso de cidadania, transformando tudo. O povo brasileiro de hoje é mais forte, mais consciente, mais firme que há alguns anos. E tem atualmente uma percepção maior de sua própria potencialidade e de seu poder.
E especialmente neste ano que começa o brasileiro terá, de novo, o seu próprio destino nas mãos. É ano eleitoral, uma vez mais o povo vai ser chamado às urnas para dizer o que quer e, principalmente, quem quer para presidir o País, para dirigir cada Estado, para legislar na Câmara Federal, nas Assembléias estaduais e no Senado, que será renovado em um terço. É a época do ajuste de contas entre o eleitor e o eleito. E desta vez, com um fator novo, mais estimulante, o da reeleição. Tanto o presidente quanto os governadores poderão se candidatar a um novo mandato. Têm agora o direito de se colocar ante o povo. Mas só permanecerão se o eleitor quiser! Este é o maior poder, e o exercício dele constitui o grande elemento deste 98 que surge com esperanças ainda mais renovadas.
Os brasileiros iniciam este novo ano com a convicção de seus anseios, com a certeza de que podem atingir o destino que almejam e que merecem. Neste alvorecer do antepenúltimo ano antes da virada do século, a certeza de que o Brasil caminha firme para garantir seu lugar entre as grandes potências do mundo.





