EDITORIAL - Não há paz


Folha de Londrina
Folha de Londrina

 

É véspera do Dia Nacional da Consciência Negra e de Porto Alegre vem a certeza de que independente de ser feriado ou não, a data tem que ser preservada como uma forma de resgatar a cultura negra, promover ações de combate ao racismo estrutural e debater sobre a escravidão no Brasil e as consequências dela através da nossa história.   


Na noite da última quinta-feira (19), um homem negro de 40 anos, João Alberto Silveira Freitas, morto após ser espancado por dois seguranças em uma loja do supermercado Carrefour, na capital gaúcha. A exemplo do que aconteceu nos Estados Unidos, quando um homem também negro, George Floyd, de 46 anos, morreu asfixiado após ser algemado por policiais em Minneapolis, no estado de Minnesota, o assassinato de Freitas está gerando protestos em várias cidades brasileiras.  




Uma confusão gerada por motivo ainda incerto em supermercados provocou a reação violenta de policiais e seguranças que acabaram na morte do americano e do brasileiro.  


Um vídeo mostrando a prisão de Floyd viralizou após o episódio. Nele aparece um policial branco com o joelho sobre o pescoço de Floyd, enquanto ele está algemado e de bruços no chão. 

Vídeos que mostraram o espancamento em frente ao Carrefour de Porto Alegre e a tentativa de socorristas salvarem Freitas circulam nas redes sociais desde a noite de quinta-feira e provocaram a mobilização de ativistas contra o racismo. 

O Carrefour definiu a morte como brutal, rompeu com a empresa responsável pela segurança e disse que adotará todas as medidas para responsabilizar os envolvidos. Os dois homens acusados de agressão foram presos em flagrante por homicídio.  

A delegada que investiga a morte de Freitas, Roberta Bertoldo, considera que o caso não é complexo, uma vez que a autoria já está definida e os agressores foram presos em flagrante.  

Complexa é a realidade que o caso expõe. Há toda a questão da responsabilidade da rede de supermercados. Mesmo tratando de uma empresa terceirizada, o crime ocorreu dentro de suas instalações e cabe a ela o pedido de desculpas, o apoio à família da vítima e o esforço para que um crime como este nunca mais volte a acontecer em suas lojas.   

O brasileiro começou e terminou ontem, sexta-feira, se perguntando como passar pelo Dia da Consciência Negra sabendo que um homem foi espancado e que a cor da pele da vítima deve ter influenciado na reação dos agressores, embora a delegada afirme que não há evidências de racismo.  

O racismo é perverso e no Brasil, como nos Estados Unidos, ele é estrutural. É fruto de um arranjo ou sistema que favoreceu a manutenção preconceito de raça durante toda a sua história.   

É possível mudar, embora não seja fácil.  Depende de as pessoas entenderem que é preciso conversar sobre racismo, exigir justiça para crimes como o que matou Freitas e se conscientizar que desmontar a estrutura que beneficia a manutenção do racismo depende de todos os brasileiros.   

 



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