São extremamente preocupantes os dados que apontam os disparos de denúncias de assédio eleitoral no Brasil neste segundo turno das eleições. Como assédio eleitoral entende-se o ato de coagir ou tentar comprar o voto de uma pessoa. Chama atenção a tentativa feita por empresas em vários estados do país, entre eles, o Paraná.

No nosso Estado, o Ministério Público do Trabalho viu as denúncias de trabalhadores contra empresas por assédio eleitoral aumentarem assustadoramente. Já foram recebidas 64 queixas, média de uma por dia desde o início oficial da campanha. O número, por exemplo, é 120% maior que o balanço de terça-feira (11) da semana passada divulgado pela FOLHA. Com o crescimento dos casos, a instituição tem proposto ações na Justiça para combater os abusos eleitorais no ambiente de trabalho.

Na avaliação do coordenador do Grupo Especial de Atuação Finalística - Assédio Eleitoral do MPT-PR, promotor Anderson Luiz Correa Da Silva, a maior parte das denúncias não é revertida em ações por falta de provas. “Antes de propormos o TAC ou ação é preciso comprovar a prática ilícita. Como o prazo é curto entre o primeiro e segundo turnos, estamos promovendo as investigações. Muitas vezes precisamos ouvir testemunhas, fazer inspeção e demora mais. Provavelmente, parte das investigações vai se estender depois do segundo turno para que tenham as devidas medidas judicias e legais”, comentou .

O promotor também destacou que muitos registros são repetidos e correspondem a uma mesma empresa. Na região de abrangência da Procuradoria de Londrina são quatro denúncias de assédio eleitoral até esta terça (18): duas em Londrina, uma em Rolândia e uma em Cornélio Procópio. O Paraná é o segundo estado com mais denúncias, atrás apenas de Minas Gerais. No Brasil são 450.

O assédio eleitoral é prática criminosa e não é possível que, em pleno século 21, em um país democrático, um cidadão seja coagido a votar no candidato do patrão, seja recebendo dinheiro ou outro benefício por isso, seja para não perder o emprego. O voto livre e secreto é uma garantia constitucional.

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