EDITORIAL - Na reta final, o aumento dos casos de assédio eleitoral
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quinta-feira, 20 de outubro de 2022
Folha de Londrina 
São extremamente preocupantes os dados que apontam os disparos de denúncias de assédio eleitoral no Brasil neste segundo turno das eleições. Como assédio eleitoral entende-se o ato de coagir ou tentar comprar o voto de uma pessoa. Chama atenção a tentativa feita por empresas em vários estados do país, entre eles, o Paraná.
No nosso Estado, o Ministério Público do Trabalho viu as denúncias de trabalhadores contra empresas por assédio eleitoral aumentarem assustadoramente. Já foram recebidas 64 queixas, média de uma por dia desde o início oficial da campanha. O número, por exemplo, é 120% maior que o balanço de terça-feira (11) da semana passada divulgado pela FOLHA. Com o crescimento dos casos, a instituição tem proposto ações na Justiça para combater os abusos eleitorais no ambiente de trabalho.
Na avaliação do coordenador do Grupo Especial de Atuação Finalística - Assédio Eleitoral do MPT-PR, promotor Anderson Luiz Correa Da Silva, a maior parte das denúncias não é revertida em ações por falta de provas. “Antes de propormos o TAC ou ação é preciso comprovar a prática ilícita. Como o prazo é curto entre o primeiro e segundo turnos, estamos promovendo as investigações. Muitas vezes precisamos ouvir testemunhas, fazer inspeção e demora mais. Provavelmente, parte das investigações vai se estender depois do segundo turno para que tenham as devidas medidas judicias e legais”, comentou .
O promotor também destacou que muitos registros são repetidos e correspondem a uma mesma empresa. Na região de abrangência da Procuradoria de Londrina são quatro denúncias de assédio eleitoral até esta terça (18): duas em Londrina, uma em Rolândia e uma em Cornélio Procópio. O Paraná é o segundo estado com mais denúncias, atrás apenas de Minas Gerais. No Brasil são 450.
O assédio eleitoral é prática criminosa e não é possível que, em pleno século 21, em um país democrático, um cidadão seja coagido a votar no candidato do patrão, seja recebendo dinheiro ou outro benefício por isso, seja para não perder o emprego. O voto livre e secreto é uma garantia constitucional.
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