Editorial - Mudanças no mercado
Depois da confirmação do anúncio sobre a desregulamentação do petróleo, o que implicará em uma possível redução nos preços dos combustíveis, o governo também antecipa a decisão de reduzir em 5% o IPI sobre os automóveis. A iniciativa representa o retorno à situação anterior a novembro de 97, quando, entre as muitas medidas adotadas pelo Planalto, ocorreu a elevação do IPI, nos 5% que agora devem ser reduzidos. O interessante é que o aumento da alíquota acabou resultando em um recuo na arrecadação do tributo, confirmando a tese segundo a qual a questão econômica não se resolve de modo matemático, como querem alguns especialistas. Isto é, aumentar impostos não resulta, necessariamente, em elevação na arrecadação. Muitas vezes, o que acontece é exatamente o oposto.
Reduzindo o IPI, o governo espera melhorar o desempenho do setor, visando conseguir, entre outras coisas, uma elevação na arrecadação do tributo, como resultado de aumento nas vendas. Para a indústria automobilística, igualmente, pode ser uma alternativa interessante no momento em que os estoques de veículos estão muito altos, levando inclusive as montadoras a adotar medidas para reduzir a produção, o que não é nada bom para ninguém. Curiosamente, porém, a primeira reação de alguns segmentos da indústria não é a que se poderia esperar: não falam em possível redução de preços e apontam até o encalhe atual como justificativa para manter os valores estabelecidos para seus produtos. É curioso e fora da realidade de mercado.
O simples fato de haver um estoque elevado de veículos, indicando que há mais oferta que procura, deveria provocar redução nos preços, dentro da famosa lei de mercado. Uma queda nos tributos, naturalmente, ajudaria neste resultado. Aparentemente, há ainda no setor um ranço do passado recente, quando as leis de mercado não funcionavam em uma economia caótica como era a brasileira. E isto, sem dúvida, precisa ser alterado, diante da necessidade de readequação frente ao novo panorama que surge com a estabilidade econômica.
Esta nova realidade do mercado exige até certa flexibilização. Se um produto encalha, uma das saídas é exatamente mexer nos preços. Naturalmente, a indústria automobilística pode alegar que tem custos, e principalmente, impostos elevados, dificultando a redução de preços para recuperar o consumidor. Sabe-se, de fato, que a política tributária para o setor é das mais elevadas: o valor que o brasileiro paga por um carro tem embutido, entre tantos tributos, mais de 50% do total. Mas, no momento em que se sinaliza com uma redução, ainda que pequena, do principal imposto incidente sobre o produto, o que se pode esperar é que haja uma baixa no preço.
Para um mercado estável, todos os setores da economia precisam adotar medidas diferentes das usadas à época da inflação exacerbada. Agora, o que importa são os preços e, especialmente, os juros. O consumidor não se encontra em condições financeiras tão boas. E está se tornando mais exigente e consciente de seus direitos. A indústria automobilística, como de resto todos os segmentos, deve-se adequar aos novos tempos. Vem aí redução nos valores dos combustíveis, impostos estão sendo reduzidos. É hora de concorrer e de adotar mentalidade diferente para enfrentar um mercado que não admite mais especulação ou exploração.





