Mudança positiva
A elevação da taxa de juros determinada pelas autoridades norte-americanas não afetará a economia brasileira, no entendimento do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo. O secretário acredita que a economia brasileira está atualmente muito mais confortável e menos vulnerável para enfrentar o aumento dos juros nos Estados Unidos, ponderando que se a economia estivesse numa situação crítica, como há um ano, o efeito da mudança seria muito maior. Na avaliação de Amadeo, a elevação dos juros é ruim para o Brasil, mas os seus efeitos no fluxo de capital serão menores. O fato de o Brasil ter muito menos amortizações agora que no ano passado representa por si uma garantia para as previsões otimistas do sr. Amadeo, que considera ainda que a redução do chamado custo Brasil pode compensar em parte os efeitos da elevação da taxa de juros americana.
O que há de intrinsecamente positivo neste posicionamento do Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda é a percepção segundo a qual o Brasil está hoje mais forte do que no passado recente. Ainda estão presentes na memória os problemas que surgiram nos últimos anos, como consequência das crises que assolaram economias emergentes pelo mundo. Pelo menos por duas vezes o Brasil foi quase que obrigado a agir de modo duro a fim de enfrentar os danosos efeitos da crise externa e, em ambas as ocasiões, necessitou implementar com celeridade algumas medidas emergenciais, algumas das quais (senão todas) profundamente duras para praticamente toda a população.
Esta mudança de perspectiva diante de um fato que por si representaria um novo problema, o aumento da taxa de juros praticada pelos Estados Unidos, evidencia mais do que qualquer outra coisa que, neste momento, a situação brasileira é menos complexa do que no passado. E confirma as perspectivas positivas que tem cercado o País neste começo de ano. Vale insistir em que esta situação não representa um favor ou um milagre, mas constitui quase que um corolário a toda a luta que vem sendo desenvolvida nos últimos anos pelos brasileiros. Os imensos sacrifícios exigidos ao povo, notadamente como resultado das crises externas, ainda estão muito presentes na memória. O fato de o Brasil poder hoje enfrentar de modo menos traumático esta nova situação é por si alentador.
Um dos grandes trunfos atuais do País, conforme a análise do sr. Amadeo, é o sucesso do programa de estabilidade da economia. Como ele mesmo fez questão de destacar, a estabilização da moeda contribui, inclusive, para reduzir o tão comentado e complicado custo Brasil. Bem observada a questão, este tem sido um dos principais problemas para que o País supere as dificuldades em que se vê envolvido, sendo também a maior das dúvidas em relação ao futuro. A luta para acabar com o quase crônico déficit público, o maior de todos os desafios desde que o atual plano de estabilização foi lançado, representa ainda uma dificuldade que precisa ser vencida, sob pena de se perder inclusive toda a luta feita até agora.
O fato de o Brasil poder enfrentar sem os sobressaltos do passado este novo problema externo constitui por si um fator estimulante. O entendimento de que o esforço feito até agora está dando frutos amplia as esperanças que marcam este ano. No começo de 1999, o Brasil quase descarrilou, com a desvalorização cambial, medida considerada necessária, mas que era preocupante. O início do ano 2000 mostra uma realidade menos angustiante, permitindo considerar que o Brasil de fato mudou de patamar e hoje pode encarar com maior otimismo o desafio do futuro.

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