O prefeito de Londrina foi primeiro afastado pela Justiça e depois cassado pela Câmara. O presidente da Federação Paranaense de Futebol está preso. Secretários de governo são acusados, o mesmo ocorre com outros políticos, tanto em nível municipal quanto estadual. Esta aparente avalanche faz com que alguns ponderem que o Paraná está vivendo uma situação vergonhosa, com a imagem prejudicada. Todavia, há uma outra, e sem dúvida mais adequada leitura, em relação ao que está ocorrendo. O Paraná não é o único Estado em que ocorrem abusos, desmandos, envolvendo o patrimônio público. Nos últimos tempos, as acusações contra políticos em todos os níveis e em quase todos os Estados se tornaram uma constante de tal modo que a opinião pública foi ficando cada vez mais descrente e assustada. A consequência natural de tal situação deveria ser uma sequência de prisões, afastamentos de cargos, ações visando ressarcimento dos bens desviados. Não é o que se está vendo, na proporção relativa a tantas denúncias.
Neste quadro, o fato de o Paraná estar parecendo uma exceção não deve ser motivo para vergonha mas sim de orgulho. Ainda que muitos dos acusados continuem impunes, é possível ver alguma coisa diferente acontecendo. A cassação do prefeito de Londrina, por exemplo, é um fato insólito e que merece muita atenção. Hoje, só para lembrar, a Câmara Municipal de São Paulo vai analisar denúncias contra o prefeito paulista, Celso Pitta, podendo cassar-lhe o mandato. Todavia, são reduzidas as esperanças de que isto ocorra, não porque Pitta seja mais inocente do que outros prefeitos e ex-prefeitos, mas pelo simples fato de que a votação da Câmara paulistana vai ser secreta, o que, como se recorda, não aconteceu em relação ao prefeito Antonio Belinati. Em Londrina, a votação para a cassação foi aberta, o que é plenamente acertado de vez que os vereadores não são donos do poder, têm que prestar contas ao povo. E com o povo vigiando, Belinati foi cassado. Já em São Paulo, o voto será secreto e, aí, é difícil saber o critério da decisão dos vereadores.
Se Pitta escapar mais uma vez, como aconteceu com outros políticos, isto não significará que existe mais honestidade e probidade em São Paulo do que no Paraná. Ao contrário, será possível afirmar, com certeza, que o oposto é correto e que, atualmente, há mais vigilância e transparência no Paraná do que no vizinho Estado. Sem dúvida, os fatos que geram as denúncias relativas a abusos com o dinheiro público são vergonhosos. Mas a culpa não é dos cidadãos que só podem ser acusados por um justificado equívoco ao volar. O importante é perceber que uma vez percebido o erro, existe uma pressão consciente do cidadão no sentido de se afastar os políticos que se mostraram indignos do voto.
O ideal seria, e isto tem sido muito repetido, que os eleitores não errassem, o que evitaria a necessidade de denúncias, ações, mobilização e cassação. Todavia, como se está diante de situações que envolvem seres humanos, o importante é perceber que é possível corrigir erros. Na verdade, é vital que isto ocorra. O fato de que tantas denúncias estão ocorrendo no Paraná, com resultados práticos contra os acusados, deve ser motivo de orgulho para a população, servindo até como fator de valorização da democracia que tem meios para garantir que os corruptos sejam afastados e punidos. Neste momento da vida brasileira, punições efetivas não devem produzir sentimentos de inferioridade. Ao contrário, evidenciam crescimento que deveria ocorrer em todo o Brasil que reclama, há muito, uma mudança nos costumes com a punição real de todos quantos fazem do cargo público um meio para roubar o dinheiro que é do povo.

mockup