Um jovem de 15 anos foi morto, em plena sala de aula, com um tiro. O disparo foi efetuado por um colega da vítima. A notícia parece repetição de muitas que têm sido divulgadas nos últimos tempos. A diferença é que, desta vez, a tragédia aconteceu em Londrina, em uma escola estadual, e não em algum estabelecimento de ensino norte-americano. Todavia, descartando a questão geográfica, trata-se da mesma ocorrência que tem infelicitado tantas famílias, fruto principalmente da falta de precaução de quem deixa armas de fogo ao alcance de menores.
Diante de tão brutal ocorrência, já há quem tenha na ponta da língua o responsável por isto: a imprensa. Não chega a surpreender este tipo de conclusão que reflete uma mentalidade com muitos adeptos. A alegação é a de que a imprensa (jornais, revistas e, principalmente, a TV) dá muito destaque a este tipo de ocorrência. De fato, os crimes recentemente cometidos por menores em escolas, nos Estados Unidos, foram amplamente divulgados. E nem poderia ser diferente. São fatos chocantes, terríveis, inaceitáveis para os padrões de civilidade de qualquer povo e que provocam uma imensa reação. A imprensa, em primeiro lugar, não inventou os fatos. Ao divulgá-los, cumpre uma de suas mais importantes funções.
Adicionalmente, este tipo de divulgação tem como função alertar sobre a questão. Não se trata de um caso de violência urbana comum, ou de algum tipo de crime passional, nem mesmo de latrocínio - mas de uma ocorrência que só tem lugar em função de uma série de falhas, a partir do próprio lar. Um jovem não tem facilidade para comprar uma arma, embora a legislação norte-americana seja bastante flexível a respeito. De qualquer modo, nas numerosas ocorrências relatadas, o fato comum era a facilidade de acesso dos jovens a armas, encontradas tranquilamente em seus lares. Em alguns casos, não só o acesso era fácil, mas também havia o incentivo dos responsáveis para que os jovens aprendessem a manuseá-las.
As ocorrências violentas envolvendo armas e menores indicam que o eventual conhecimento proporcionado por uma orientação de qualquer adulto não minimiza o risco. Fica ainda mais claro também que ponderável parcela destas ocorrências sequer teria lugar desde que os adultos tivessem a mínima sensibilidade para perceber que armas de fogo não podem ser deixadas em qualquer lugar. Isto, sem dúvida, remete à conclusão sobre quem, de fato, é o principal responsável por este tipo de tragédia.
Na verdade, não se trata de buscar culpados, até porque isto não modifica a realidade das mortes, o vazio que fica nos lares dos jovens que foram vitimados por disparos fortuitos de armas que não deveriam estar ao alcance deles. Trata-se é de buscar neste, como nos outros trágicos eventos, ensinamentos para evitar que se repitam. Nada modificará a realidade, os inocentes mortos vão marcar pela ausência a vida de seus familiares e permanecerão na memória como uma lembrança terrível. É preciso, porém, que estas mortes não sejam em vão, que não se arquive tudo como uma fatalidade e que ocorra uma responsabilização mais plena por parte da sociedade a respeito disto. Os brasileiros não têm a mesma fixação por armas como os norte-americanos. Nem por isto, no entanto, estão imunes a tragédias como a do menino Luciano. Em sua memória, é justo pedir que pais e responsáveis ajam com cautela para que dramas como aquele não se repitam, aqui ou em qualquer parte.

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