Apenas 500 pessoas participaram domingo, no Rio, da passeata ‘‘Basta! Eu quero paz’’, promovida pelas Organizações Não-Governamentais Viva Rio e Instituto Sou pela Paz, de São Paulo, manifestação que teve apoio da Unesco, entidade da ONU que trata da educação. Os organizadores, porém, não ficaram frustrados com a pequena participação popular, indicando que a idéia não era a de promover uma atividade de massa, e sim fazer a preparação para a grande manifestação nacional marcada para a próxima sexta-feira. A idéia, no dia 7 de julho, é convocar a população para vestir branco, apagar luzes e acender uma vela na janela, às 19 horas, pedindo a paz. Trata-se de um novo esforço visando mobilizar a população contra a violência que atinge, atualmente, níveis dos mais elevados, provocando temor e aflição, ao lado de reações oficiais que não estão merecendo muita confiança.
Com efeito, o esforço por mobilização popular em torno de uma causa como a do combate à violência é um trabalho meritório, até porque o atual clima de insegurança em que se vive vai transtornando a vida da sociedade, com consequências terríveis. Por outro lado, esta nova fase que o país atravessa, com uma crescente conscientização da cidadania, estimula a união, inclusive porque, em alguns setores, como a política, tem-se percebido resultados reais da reação pública. A idéia, portanto, é a de transferir para uma situação concreta e aflitiva, a da insegurança que hoje atinge as maiores metrópoles assim como as pequenas, médias e grandes cidades, o espírito que produziu as manifestações políticas que estão apresentando resultados.
É preciso, porém, ter em mente que a violência que se vive no país atualmente tem várias causas. É o resultado de uma série de falhas que vão desde a precária condição de policiamento à falta de esperança de uma parcela grande da população, submetida a uma situação de vida indigna. Não se trata de considerar que os marginalizados, os desempregados, os aflitos de todos os matizes sejam os principais causadores da violência, mas de sentir que com uma base de insegurança social como a que existe diante da fome, da miséria, da doença, da incerteza de vida, a violência acaba por ser um canal de extravasamento até natural.
Isto significa que a mobilização que se pretende no dia 7 não pode ficar apenas no ato em si, por maior que possa ser. Vestir branco, acender velas, apagar luzes tem um significado. Todavia, é preciso mais do que isto, como se percebe inclusive diante do que se observa no panorama político. Há a necessidade de um esforço permanente, de uma exigência constante, de um trabalho mais direto que reclame soluções para os múltiplos problemas que produzem como resultado a violência. O recente plano de combate à violência anunciado pelo Governo Federal, por exemplo, já foi alvo de muitas críticas precisamente porque não se percebe nele a profundidade necessária diante do desafio real que se coloca diante do povo brasileiro. Não se trata só de conter a violência, dando-se mais e melhores condições à polícia (o que é, sem dúvida, importante, mas não é um fim em si mesmo), ou de reclamar a construção de mais cadeias, mas de exigir as transformações econômicas e sociais que garantam, pelo menos, esperança à população marginalizada e sofredora.
Na verdade, o grande desafio é o de restaurar a esperança de um povo que está cansado de sofrer e assustado pela violência que o cerca. Se a mobilização pela paz conseguir o surgimento de medidas concretas para devolver a dignidade para grande faixa da população brasileira, sem dúvida valerá a pena.

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