A maior apreensão de madeira da história do Brasil virou polêmica nas mãos do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o que já é de praxe. Mas dessa vez o atrito é com o chefe da Polícia Federal do Amazonas, Alexandre Saraiva, que mandou um recado bem espinhoso para o chefe da pasta que trata, entre outros assuntos, da preservação da maior floresta tropical do mundo. "Na Polícia Federal não vai passar boiada”, disse Saraiva, usando termo adotado por Salles na fatídica reunião ministerial do ano passado.

Os atritos começaram na última quarta-feira (31), quando o ministro foi ao Pará para fazer uma espécie de verificação da operação. Assumindo uma postura bastante questionável, Salles apontou falhas na ação e disse que há elementos para achar que as empresas investigadas estavam com a razão em contestar os procedimentos.

Saraiva disse que era a primeira vez que via um ministro do Meio Ambiente se manifestar de maneira contrária a uma ação que visava proteger a floresta amazônica. Ele declarou que tudo que foi apreendido desde dezembro do ano passado, mais de 200 mil metros cúbicos de madeira, é produto de ação criminosa. Afirmou também que até a semana passada as empresas não haviam apresentado os documentos requisitados pela PF e que comprovariam a legalidade da madeira apreendida.

Para o chefe da PF no Amazonas, as empresas envolvidas nessa grande apreensão formaram uma grande "organização criminosa.” São quarenta mil toras que teriam sido derrubadas irregularmente.

A polêmica acontece justamente dias após o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, começar a pressionar o Brasil para uma mudança em sua política para o meio ambiente. Há poucos dias, Washington passou um recado duro para o governo brasileiro. "Queremos ver coisas tangíveis contra o desmatamento ilegal", foi a palavra de ordem de diplomatas americanos. E os resultados dessas ações devem ser para este ano, frisaram.

Na Casa Branca há quem fale em sanções e a possibilidade do Brasil perder investimentos e espaço para exportações, caso não mudar de posição em relação à sua política ambiental. Diante de tantos problemas que o país atravessa, não é o momento para levantar novas polêmicas envolvendo a política ambiental e nem demonstrar descaso para com o trabalho das instituições que estão combatendo o desmatamento ilegal na Amazônia.

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