Luta contra o câncer
‘‘Conseguimos erradicar a varíola. Podemos, e precisamos, fazer o mesmo com o câncer, que é uma enfermidade mundial e exige soluções mundiais.’’ Esta é parte de mensagem da primeira-dama dos Estados Unidos, Hillary Clinton, transmitida durante a Cúpula Mundial contra o Câncer, realizada em Paris. A Cúpula, iniciativa privada essencialmente franco-americana, reuniu 160 representantes de governo, médicos, doentes e personalidades de todo o mundo. Os participantes do encontro lançaram, sexta-feira, apelo para ‘‘uma mobilização geral’’ destinada a erradicar essa doença da superfície do planeta. A Carta de Paris contra o Câncer, que tem a ambição de produzir uma conscientização mundial, foi assinada pelo presidente francês, Jacques Chirac, pelo diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, e pela princesa Chulabhorn da Tailândia. Um dos principais incentivadores da iniciativa, o professor David Khayat, cancerologista do hospital Pitié-SalpêtriSre de Paris, disse à imprensa que o texto aprovado recebeu propositadamente um tom geral para conservar seu caráter universal. Assinalou na ocasião que as medidas de combate à doença variam segundo as situações concretas no mundo, explicando que a prioridade na África se refere a questões de higiene, enquanto em outros locais a prioridade será dispor de medicamentos inovadores, seja qual for seu preço. O importante, segundo assinala, é que haja um propósito comum no sentido de enfrentar este mal.
Na quinta-feira, cancerologistas e especialistas da saúde pública alertaram sobre a necessidade de que a batalha contra o câncer adquira a dimensão de um verdadeiro combate mundial contra a doença, que pode matar mais de dez milhões de pessoas anualmente, nos próximos 20 anos. Segundo a Organização Mudial da Saúde, em 2020 serão registrados em todo o mundo 20 milhões de novos casos de câncer por ano, e o número de mortes ultrapassará os dez milhões anuais. A OMS prevê um aumento do número de casos de câncer na maioria dos países por causa do envelhecimento da população.
Especialistas indicaram, na oportunidade, que há muitos anos o câncer não tem sido objeto da atenção proporcional aos sofrimentos e desespero que provoca, o que motivou a realização deste encontro. De modo geral, ficou patente o entendimento segundo o qual diante de outros problemas de saúde, até mesmo as autoridades deixaram de lado a doença, o que provocou um aumento no total de casos e uma perspectiva bastante negativa na luta contra o mal. E embora haja o reconhecimento segundo o qual o documento firmado em Paris seja muito genérico, considerou-se positiva a preocupação manifestada e o interesse em se voltar a enfatizar a necessidade de um trabalho continuado com a finalidade de encontrar soluções para a doença que continua a crescer em todo o mundo.
Interessante observar como, neste começo do ano 2000, ressurgem manifestações de preocupação e interesse em relação a doenças que vêm acometendo a humanidade com inusitada frequência. A impressão é a de que, na véspera de um novo milênio, retomou-se a preocupação em torno de males que há muito poderiam estar erradicados ou, ao menos, controlados. E é oportuno entender a profundidade de mensagens como aquela que a esposa do presidente norte-americano dirigiu aos participantes do encontro em Paris. Com efeito, o ser humano já evidenciou ter condições para vencer os mais instigantes desafios no sentido de ampliar e melhorar a própria vida no planeta. O caminho para atingir este objetivo é um só: disposição para direcionar esforços em tal sentido. A vitória contra qualquer doença é só uma consequência desta vontade.

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