Dirigentes de organismos oficiais encarregados do combate às drogas na Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai abrem hoje, em Buenos Aires, o Primeiro Encontro do Mercosul sobre Prevenção e Repressão ao Tráfico Ilícito de Entorpecentes e seus Delitos Conexos. A reunião será aberta pelo secretário argentino para a Prevenção do Vício e para a Luta contra o Narcotráfico, Eduardo Amadeo. Na primeira reunião desse nível, participarão também o secretário Executivo Antidrogas do Paraguai, general Carlos Alberto Ayala, o presidente do Conselho Federal de Entorpecentes do Brasil, Luis Matias Fach, e o secretário da Junta Nacional de Prevenção e Repressão do Tráfico Ilícito e Uso Abusivo de Drogas do Uruguai, Alberto Scavarelli. Entre os assuntos em debate está a criação de um Fórum Permanente de Consulta entre os países do Mercosul para o início de atividades conjuntas vinculadas à prevenção e à luta contra o narcotráfico, conforme destacou um comunicado oficial.
Este é um caminho vital na luta contra o terrível flagelo das drogas. O tráfico não é um crime local, já atingiu dimensões mundiais. E os traficantes, os poderosos cartéis, que movimentam quantias incalculáveis de dinheiro, representam um perigo para a própria sociedade na medida em que não têm limites em sua ação. Para atingir os objetivos, que são os de disseminar cada vez mais o uso das drogas e a dependência das pessoas, usam qualquer meio. Adotam, sem dúvida, a corrupção como o método mais fácil em muitos casos, notadamente para se infiltrar nos organismos policiais e de repressão ou até em setores mais altos. Mesmo em eleições presidenciais seus passos podem ser percebidos, conforme ficou evidente nas investigações realizadas agora na Colômbia, um dos maiores produtores de drogas do mundo. E quando a corrupção não resolve, apelam para a violência, sem qualquer temor ou dúvida, fazendo do terror outra eficiente arma de domínio, em praticamente todo o mundo.
Neste quadro, se de fato quer vencer este desafio (e o condicional chega a ficar deslocado, pois a realidade é que se não conseguir derrotar o tráfico a sociedade civilizada corre o risco de submergir diante dele), a única maneira é uma ação mundial, corajosa, inventiva e firme. Nesse sentido, aliás, realizou-se nas Nações Unidas, no início deste mês, uma cúpula especial antidrogas, com a participação de delegações de 150 países. Ali, ficou muito clara a preocupação mundial diante do crime organizado, notadamente o tráfico, embora, até devido às condições e prazos, poucas decisões objetivas tenham sido adotadas. O importante do evento foi a percepção da necessidade de um trabalho global no combate ao tráfico, sem o que os resultados jamais serão os melhores.
Este encontro da Argentina constitui, sem dúvida, um passo importante nesta linha de ação, inclusive diante dos participantes dele. Estarão discutindo o assunto, estudando meios de ação conjunta, preparando novas estratégias os especialistas responsáveis pelo combate ao tráfico nos quatro países do Mercosul. A partir daí, naturalmente, há ainda um longo caminho. Mas caso ocorra nesta reunião a adoção de medidas conjuntas na luta contra as drogas, as esperanças de sucesso nesta verdadeira guerra da sociedade contra o crime se tornam maiores.
É imperioso, entretanto, que ao lado desta aliança internacional haja um trabalho interno no sentido de melhorar o aparato policial e jurídico que combate o tráfico. Isto inclui não apenas melhor aparelhamento para a polícia, mas também um trabalho visando aprimorar os agentes da lei, o que inclui até uma situação salarial compatível com o risco da tarefa. Dizer que faltam recursos para isto, é inaceitável, pois esta é a luta da sobrevivência da própria civilização.

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