EDITORIAL - Leite condensado indigesto
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2021
Folha de Londrina 
O gasto do governo federal no ano passado com leite condensado, no valor de R$ 15 milhões, viralizou nas redes sociais logo após ser revelado em reportagem do site Metrópoles. Não é a única despesa que chama atenção na lista de compras de alimentação do executivo federal, mas virou trending topics porque o presidente Jair Bolsonaro já revelou sua “fraqueza” pela iguaria, que costuma comer com pão. Logo que o presidente revelou sua paixão por leite condensado, padarias do Rio de Janeiro chegaram a colocar no cardápio do café da manhã o cafezinho com pão e leite condensado.
A lista de compras de alimentos e bebidas do governo federal atraiu críticas por outras despesas altas. Tudo junto somou um gasto de R$ 1,8 bilhão. Foram gastos R$ 5 milhões com uvas passas, R$ 1 milhão em alfafa, R$ 15 milhões em açúcar, R$ 16,5 milhões em batata frita embalada e R$ 14,8 milhões em temperos, R$ 4,5 milhões com água de coco, R$ 14 milhões em café, R$ 3,2 milhões em caldas doces para recheios e coberturas, R$ 1,7 milhões em chantili, R$ 6,7 milhões em chuchu, R$ 1,8 milhão em geleia de mocotó e R$ 2,2 milhões em chicletes. Pizzas e refrigerantes também fizeram parte do cardápio do ano, com débito de R$ 32,7 milhões aos cofres da União.
Vários segmentos da sociedade e partidos políticos começaram a se manifestar assim que a notícia ganhou o país e gerou memes de todos os tipos nas redes sociais. Uma ação assinada por deputados do PSOL pediu ao procurador-geral da República, Augusto Aras, que investigue o gasto bilionário. Uma comissão de parlamentares, incluindo da Câmara e Senado, também pediu que o TCU (Tribunal de Contas da União) investigue a conta do Executivo com alimentação.
Na terça-feira (26), o secretário de Comunicação Institucional do governo federal, Felipe Pedri, explicou que os gastos são referentes não só ao Palácio do Planalto e aos ministérios, mas também a servidores do Exército e programas assistenciais.
Deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro justificou a despesa com leite condensado dizendo que R$ 14,2 milhões referente à compra do produto foi destinada ao Ministério da Defesa, lembrando que as Forças Armadas têm um efetivo de 334 mil pessoas, que consumiriam mais de 6.500 latas de leite condensado por dia. "Algo bem razoável", afirmou o deputado em suas redes sociais.
O momento econômico que o Brasil passa é dificílimo e como acontece nas empresas privadas e nas casas da maioria das famílias, o cinto apertou e muitas despesas tiveram que ser revistas. O Poder Executivo, em se tratando de gastos, precisa se comportar como uma família, equilibrando orçamento de acordo com a realidade do País. E como órgão público, deve estar pronto para esclarecer as questões levantadas pela sociedade e instituições de controle. A prestação de contas faz parte do jogo democrático e os números realmente chamam atenção e merecem ser investigados.
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