Há alguns dias, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, afirmou que se o Governo federal mantivesse as taxas de juros elevadas e se o Congresso não fosse convocado em janeiro para acelerar as reformas, o nível da taxa de desemprego cresceria acentuadamente. Segundo ele, o primeiro trimestre do próximo ano seria muito difícil para a indústria, com raras exceções, como o setor de alimentos e de brinquedos. Porém, apesar de todas estas projeções, Moreira Ferreira disse acreditar que a fase mais aguda da crise já passou.
Os dois itens que o presidente da Fiesp considerou fundamentais para que sejam superados os maiores problemas econômicos estão sendo encaminhados. A taxa de juros foi reduzida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, e a pendência continua somente porque a queda teria de ser muito maior. Se o Governo tivesse um pouco mais de confiança e um pouco menos de medo, o item poderia estar 50% resolvido. Por outra parte, o Congresso foi convocado extraordinariamente para apreciar, no início do próximo ano, importantes matérias, entre as quais as reformas estruturais. Isto é uma promessa de solução para o atoleiro das reformas e para a crise de confiança do capital internacional no Brasil. A convocação é quase 50% da solução.
Em outras palavras, há por parte do Governo vontade de resolver. E isto não é pouco como parece.
A Taxa Básica de juros, que baliza o custo primário do dinheiro, caiu de 2,90% para 2,72% mensais, enquanto a Taxa de Assistência do Banco Central recuou de 3,15% para 3,03% mensais. Anualizadas, representam 40,92% e 45,09%, respectivamente. É um absurdo, se comparadas com os juros internacionais, mas estão declinantes, como o Governo prometeu. As novas taxas vão vigorar entre 2 e 28 de janeiro de 98, quando o Copom se reunirá novamente. As condições do mercado no mundo continuam precárias, e persistem as causas determinantes da alta de juros determinada pelo pacote de novembro. Assim, deve-se compreender como um avanço - embora excessivamente cauteloso - o rebaixamento de 0,18 da Taxa Básica.
O que pode virar a mesa e mudar de fato a situação é a concretização das reformas estruturais. Só as reformas farão os juros voltarem a ser apenas um instrumento de política monetária, e não mais a âncora principal do plano de estabilização. Por isso a Fiesp considera tão importante a convocação extraordinária do Congresso para votar as reformas em janeiro, no máximo fevereiro.
Uma coisa está ligada à outra. E ambas - juros e reformas - estão visceralmente incluídas no processo maior da estabilidade da economia, que passa também pelo estímulo especial ao emprego, a fim de reduzirmos um flagelo que já existia mas ficou pior com o real.
A pauta da convocação extraordinária é alentadora. A Câmara dos Deputados debaterá as propostas de reforma previdenciária e tributária, a de criação do Imposto sobre Distribuição de Combustíveis Líquidos e Gasosos e as emendas constitucionais destinadas a regulamentar a edição de medidas provisórias, além da convocação de um Congresso Revisor para 1999. Duas emendas constitucionais estarão tramitando no Senado: a da reforma administrativa e a do regime constitucional dos militares.
Se o Congresso cumprir a pauta, não só teremos condições de viver com juros menores, como poderemos concretizar uma grande reforma nas estruturas nacionais, a caminho de um futuro que há tanto tempo tem sido antecipado e há mais tempo ainda adiado.

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