Editorial - Jubileu 2000
Jubileu 2000
O começo do ano 2000 não marca o princípio do terceiro milênio. Entretanto, uma vez que este marco temporal criado pelos homens e aceito pelos países cristãos marca o nascimento de Jesus Cristo, a passagem do ano 2000 tem um significado que é destacado pela Igreja Católica: é um Ano Santo, um Jubileu, marcando o segundo século da vinda de Cristo. Hoje, no Vaticano, o Papa João Paulo II abre o Jubileu 2000, uma celebração que vai além do intuito de festejar o fato ocorrido há 2 mil anos, em Belém, representando um novo esforço da Igreja no sentido de um retorno do homem às bases e ensinamentos do Rabi da Galiléia. No Ano Santo que começa são ambiciosos os projetos da Igreja. Uma série de eventos marcará todo o transcurso de 2000, com ênfase, na parte religiosa, para um esforço concreto de aproximação entre as igrejas cristãs, e no que tange ao social pela luta visando conseguir um desafogo para os milhões de seres humanos que vivem, hoje, em situação de miséria absoluta nos países mais pobres do mundo.
Nestes dois milênios de cristianismo, é intensa a discussão sobre o aspecto social e as preocupações da Igreja em torno dos problemas materiais do povo. Não tem faltado, ao longo dos tempos, os que insistem na tese segundo a qual a religião representa um trabalho voltado para o espírito, sem qualquer envolvimento com os problemas materiais. É uma postura alienada que tem, porém, muitos seguidores. Mesmo no interior das diferentes denominações cristãs existem discussões a respeito, tendo algumas produzido até cisões e cismas, que continuam a acontecer.
Aos poucos, porém, o entendimento segundo o qual a preocupação de Jesus não era apenas de ordem espiritual foi ganhando força em várias religiões. Hoje, é grande o número dos que entendem que a Salvação prometida por Cristo envolve não apenas a alma, mas também o corpo, é o trabalho global visando o ser em sua totalidade. Esta visão, que levou muitos religiosos ao martírio, ganha corpo. E o anunciado desafio da Igreja de conseguir dos países ricos o compromisso de anular ou reduzir a dívida externa que sufoca a dignidade e o desenvolvimento da população em 41 países extremamente pobres, especialmente na África, representa plenamente a aceitação de uma mensagem que visa atender ao ser humano em sua plenitude.
De fato, uma simples observação da realidade mundial deixa claro que mesmo os países que se dizem cristãos, com dirigentes que fazem questão de evidenciar seu credo, frequentando igrejas, não vivem plenamente o cristianismo. Como assinalou Ghandi, o libertador da Índia, que precisou lutar com todas as forças para superar o domínio da Grã-Bretanha, se os que se dizem cristãos seguissem os mandamentos de Jesus, o mundo seria um verdadeiro paraíso. É indiscutível. As ordenações de Jesus são simples e concretas, resumindo-se todas na lei do amor, sem limites e sem fronteiras. No Natal, a cada ano, há uma oportunidade para se rememorar o nascimento de Jesus, Seu primeiro ensinamento sobre a humildade com que se deve encarar a vida. Mas neste Natal em que se começa a comemorar os 2 mil anos de Cristo, pretende-se mais: a intenção é fazer com que o ano inteiro seja de meditação e ação para aproximar mais o mundo de Jesus.
Começa hoje, portanto, uma etapa de intensa espiritualidade, chamando-se todos os seres humanos (e em especial os que se dizem cristãos) à reflexão sobre o significado desta História tão repetida e dificilmente assimilada. O Jesus que nasceu em Belém manda, ainda hoje, Sua mensagem de Amor e Perdão e o convite do Papa é para que se aproveite o Jubileu para aceitá-la.





