Partidos de oposição estão articulando estratégia a fim de conseguir 171 assinaturas na Câmara e 27 no Senado para a criação de uma CPI mista destinada a analisar as suspeitas de ligação do ex-secretário-geral da Presidência, Eduardo Jorge Caldas, com as irregularidades na liberação de verbas para a obra do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. Para conseguir isto, entretanto, a oposição terá de convencer os parlamentares da base governista. Sem a participação de deputados dos partidos que apóiam o presidente Fernando Henrique não será possível coletar o número suficiente de assinaturas. O líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira, disse que o assunto será tema de reunião entre os líderes da base aliada esta semana, mas adiantou que haverá dificuldade a um eventual apoio, não devido ao tema, ressaltou, mas diante de uma decisão adotada pelos líderes da base de sustentação do governo, que, conforme o deputado, tinham deliberado não fazer nenhuma Comissão Parlamentar de Inquérito até as eleições.
O Congresso Nacional retoma os trabalhos esta semana e a questão envolvendo as denúncias contra o sr. Eduardo Jorge fará aumentar o confronto entre o governo e a oposição. Hoje, quando se retomam as sessões, a oposição vai iniciar o esforço de coleta de assinaturas para a abertura da CPI destinada a aprofundar as investigações sobre as irregularidades na obra do Fórum Trabalhista em São Paulo.
Na luta para esvaziar o movimento, os governistas tentam direcionar as investigações sobre a atuação de Eduardo Jorge para a subcomissão do Judiciário, que será instalada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. A função da subcomissão é acompanhar as ações resultantes da CPI do Judiciário. Hoje, o presidente da CCJ, senador Agripino Maia (PFL-RN), deverá fazer sessão para criar a subcomissão, e o depoimento de Eduardo Jorge pode ser marcado para breve. Também deve ser convocado o ministro do Planejamento, Martus Tavares.
Tentando diluir o impacto destas convocações, o governo lutará para que sejam ouvidas todas as autoridades dos três Poderes que participaram do processo que levou à liberação de verbas para a obra irregular. Na lista estariam o ex-secretário-executivo do Ministério do Planejamento Andrea Calabi, os deputados João Coser (PT-ES), Ieda Crusius (PSDB-RS), o ex-deputado Hélio Rosas (PMDB-SP), o senador Carlos Bezerra (PMDB-MT), que eram membros da comissão de Orçamento, e os presidentes do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Wagner Pimenta e do Tribunal de Contas da União (TCU) Iran Saraiva.
Em carta publicada ontem neste jornal, um leitor manifesta o desencanto, que é seguramente de todos os brasileiros, diante do quadro de manobras como o que se observa, em que se tenta fazer de tudo para evitar que a verdade apareça, principalmente se isto, como é o caso, puder comprometer a imagem do Executivo. Esta situação, porém, é de todo inaceitável. Não é o caso de situação ou oposição, não se trata de campanhas eleitorais, ainda que um dos partidos de oposição, o PT, tenha anunciado como fator básico da postulação da agremiação, no pleito municipal deste ano, o tema ‘ética na política’, com enfâse sobre a questão que envolve agora o ex-secretário do presidente da República. O que se tem é uma séria denúncia de fraude relativa às obras do TRT e que pode atingir mais gente, até no Executivo. Tenta obstar esta investigação, usar de artifícios legais ou de manobras de Regimento para evitar que o povo saiba sobre as falcatruas cometidas com dinheiro público, é um acinte à população e à própria democracia.

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