Editorial - Interesses comuns
O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, considera razoável o prazo de 90 dias dado pelos líderes governistas à equipe econômica para que as últimas medidas adotadas pelo governo dêem resultado. Numa estimativa de tempo razoavelmente curta, as medidas que foram tomadas têm que começar a operar seus efeitos, disse o deputado, em São Paulo. Do contrário, é preciso verificar o que há com a economia do País, pois não podemos ficar um ou dois anos vivendo de sobressaltos, ressaltou. Temer disse que o Congresso Nacional não pode ser responsabilizado pelo atual momento econômico do País. O Congresso deu tudo aquilo que foi solicitado para o ajuste fiscal disse, citando as reformas econômicas, administrativas e a CPMF. Segundo ele, a CPMF deve ser votada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara na próxima semana. Depois, o projeto será encaminhado para uma comissão especial. O deputado considera possível acelerar a aprovação do imposto sobre cheques, embora a oposição tenha se manifestado visceralmente contra isto. O presidente da Câmara ressalvou, entretanto, que o prazo de 90 dias para que a cobrança da nova alíquota da CPMF entre em vigor terá de ser respeitado, uma vez que é constitucional.
Apesar da ameaça do governo federal de dificultar os empréstimos de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul no exterior, o presidente da Câmara dos Deputados acredita no diálogo de conciliação entre todos governadores e a União sobre a questão das dívidas estaduais. Acho que os governadores vão conversar com o governo federal e vão se entender , afirmou. Numa federação é assim: os Estados e a União conversam, se ajustam e cada um vai até onde pode ir. Este raciocínio faz parte até da posição conciliadora do deputado paulista que, porém, está colidindo com uma outra realidade. De fato, não há como contestar o acerto do discurso que reclama entendimento e diálogo. O que, porém, está faltando é uma postura diferente de alguns governadores que estão agindo não como quem quer discutir, negociar, mas como os mais famosos caloteiros.
É importante rememorar as palavras da governadora do Maranhão, sra. Roseana Sarney, quando convocou a reunião dos chefes de Executivo estaduais que apóiam o governo federal, logo após o anúncio da moratória mineira. Disse ela que quando os governadores ameaçam não pagar o que devem, a onda pode atingir os prefeitos e, depois, o povo. Afinal, o exemplo vem de cima. E é certo que situação pior do que a dos governadores é a de muitos consumidores, sem condições de pagar suas dívidas. Caso comecem a seguir os exemplos que vêm de seus governantes, anunciando pura e simplesmente que não vão cumprir seus compromissos - começando quem sabe até com os impostos - então será o caos.
Há que negociar, há que elevar o tom e, principalmente, há que alertar-se que a política do salve-se quem puder que os governadores ameaçam lançar por meio da moratória - a mesma política que alguns parlamentares utilizam pensando em seus interesses particulares - pode alimentar na cidadania a famigerada lei do Gerson (aquela de levar vantagem em tudo), práticas que, de forma alguma, trazem benefícios à Nação. É o Brasil quem está em foco, é o país que vem sendo acossado pelos especuladores, de além e aquém fronteiras, e por alguns políticos ignorantes ou mal-intencionados. A priorização dos interesses nacionais, neste momento, representa o fator básico desta equação. Este é o momento em que se vai definir o futuro e não há como aceitar raciocínios ou políticas rasteiras ou interesseiras. União, Estados e municípios formam um só corpo. Executivo, Legislativo e Judiciário são parte de um todo. E todos, unidos ao povo, constituem o Brasil, que deve estar acima das preocupações mesquinhas.





