Editorial - Insegurança no Paraná
Oito homicídios em dois dias. Curitiba (incluindo a Região Metropolitana) teve um fim de semana sangrento. E atípico. Estatisticamente, o total pode ser considerado elevado para os padrões de civilidade da capital do Estado. Humanamente, a questão ainda é pior quando se considera que cada homicídio em si constitui violência inaceitável contra a vida, algo que fere de algum modo a coletividade. Trata-se de uma situação inaceitável pela sociedade que reclama, exige e merece condições de segurança mínimas para sobreviver. Já chegam os percalços constantes da vida para estressar o cidadão. A sequência de crimes, atingindo indistintamente gente comum, não apenas representa um atentado à vida em geral, mas constitui também fator agravante, aumentando a insegurança de todos.
É ponderável a alegação das autoridades, segundo as quais há certo tipo de homicídio quase impossível de prevenir, caso específico dos chamados crimes passionais. Todavia, este tipo de ocorrência, mesmo em regiões muito habitadas e de vida complexa, como a da capital, é de fato baixo. O que mais acontece são manifestações criminosas explícitas, principalmente latrocínios, além de tiroteios antecipando assaltos. E em relação a isto é que o cidadão comum tem o direito de exigir ação ativa das autoridades, ainda mais quando se sabe que a segurança constitui uma das obrigações fundamentais dos governos estaduais em relação à população. Há muitos setores deficientes, mas em boa parte deles é possível a ação da iniciativa privada, que tenta suprir as falhas oficiais. Todavia, em relação à segurança, este é um campo em que o Estado tem a obrigação de atuar, garantindo à sociedade a tranquilidade necessária para enfrentar os demais desafios da vida moderna.
O fundamental na questão é o fato de que a coletividade tem o direito de exigir mínimas condições de segurança para viver. E que esta é uma obrigação governamental. A respeito disto, não há sequer discussão possível. Os governos de Estado devem priorizar o setor, dando-lhe condições para realizar seu trabalho. Partindo, inclusive, da premissa simples segundo a qual um dos fatores básicos para a segurança é a atuação preventiva do organismo policial. E para isso é preciso polícia nas ruas, veículos em boas condições circulando sempre, módulos policiais funcionando, telefones públicos em toda parte, uma atuação preventiva plena. O marginal, de modo geral, não é um herói, não sai por aí dando tiro ou assaltando se percebe que corre algum tipo de perigo. A presença de duplas de policiais militares andando pelas ruas já é fator que inibe a ação dos ladrões.
Naturalmente, isto ainda é pouco. Os crimes acontecem e é preciso que a Polícia Civil também esteja bem equipada, tenha pessoal categorizado, armamentos, treinamento constante e o respeito da população, o que infelizmente não existe. Na verdade, há quase que um círculo vicioso: a população não confia na polícia que, por uma série de fatores, efetivamente não se faz confiável. É necessário romper este círculo e isto só será possível se o governo do Estado tiver realmente vontade política para agir no setor de segurança, o que implica em dar respeito aos que exercem cargo policial - significando isto também criar condições de remuneração digna, tanto aos policiais civis quanto aos militares -, para que possam executar com eficiência sua tarefa. Notícias como estas, divulgadas no começo da semana, sobre um verdadeiro banho de sangue na Região Metropolitana, apenas servem para aumentar a insegurança e o medo da população.





