Independente das multas e da obrigação de reparar adequadamente o dano ecológico, a questão mais importante no acidente ocorrido no Paraná, com o vazamento de óleo nas águas do Rio Iguaçu, é relativa às causas determinantes da ocorrência, que não é a primeira na história recente da Petrobras. Esta demanda é tanto mais importante quando são muito graves as denúncias relativas ao sucateamento da empresa e às falhas decorrentes de programas de demissão voluntária, que criaram sérios vácuos na estrutura organizacional da Petrobras, tornando ocorrências como esta do Paraná e a anterior do Rio uma ameaça cada vez maior em todo o País. Hoje, em Salvador, os petroleiros baianos participam do Dia Nacional de Luto contra os Acidentes do Setor Público, no ‘Trevo da Resistência’, trecho da pista de acesso à Refinaria Landulpho Alves, a única do Nordeste, na região metropolitana de Salvador. Uma muda de pau-brasil será plantada e uma cruz colocada no local, reverenciando os trabalhadores mortos em acidentes de trabalho. Hoje, completa um mês o último acidente ocorrido na refinaria, uma explosão na unidade de produção de gás propano, que causou a morte do operador Ney Luiz de Melo Brito e ferimentos em outros três operários. Segundo o Sindicato dos Petroleiros da Bahia, o número de acidentes no setor químico e petroquímico vem aumentando nos últimos anos por causa da redução de pessoal e terceirização de setores considerados essenciais.
A tragédia ambiental provocada no Paraná, o vazamento acontecido no Rio, há alguns meses e o drama que vem se repetindo em outros setores da empresa, atingindo os petroleiros são por si fatos que devem despertar a atenção, evidenciando que há algo de errado com a Petrobras. A empresa, que foi verdadeiro símbolo de uma época, quando o Brasil tentava se firmar como potência emergente e lutava para garantir um desempenho diferente no campo dos combustíveis, vive atualmente uma situação inaceitável e intolerável. Considerar que o vazamento acontecido no Rio Iguaçu, agora, assim como os anteriores e os dramas vividos pelos trabalhadores vítimas de tragédias nos locais de trabalho como simples acidentes é minimizar fatos da maior importância.
Ademais, o potencial de risco envolvido na atuação da empresa, em todo o País, indica a necessidade urgente de uma investigação plena, tanto nas refinarias quanto em outros pontos de trabalho, passando naturalmente pela administração central da Petrobras. Na verdade, tão grave é a situação, tamanho o perigo para a população brasileira diante da possibilidade da repetição de ‘acidentes’ como o de agora, que a exigência de uma verdadeira devassa se faz absolutamente necessária, em defesa até deste patrimônio nacional que é a Petrobras.
Curiosamente, o recesso do Congresso está servindo para ‘ajudar’ a empresa porque é certo que se o Legislativo estivesse trabalhando já haveria algum tipo de movimentação, sendo até possível que se falasse em CPI. E por mais que aquelas comissões de inquérito legislativo estejam desgastadas, é certo que este é um caso que, sem dúvida, estaria a reclamar uma verificação por parte dos políticos que representam o povo. Uma CPI, porém, ainda seria pouco. O Ministério Público no Estado e mesmo o federal já deveriam estar mobilizados para ir à fundo nas causas do que ocorreu no Paraná, uma medida que se impõe diante da insegurança que está sendo passada face à repetição dos ‘acidentes’ e a percepção de que não está sendo feito tudo o que é necessário para modificar esta situação. A Petrobras é muito importante para os brasileiros. E não pode ser alvo de dúvidas e temores da população.

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