Insegurança na cadeia
Dois homens, usando apenas uma pistola e um revólver calibre 38, invadiram a delegacia de Ibiporã, cidade situada 14 quilômetros a leste de Londrina, renderam os investigadores que representavam toda a segurança no local, e soltaram os 28 presos que se encontravam ali. Do total, 20 preferiram não fugir. Outros oito, naturalmente os de maior periculosidade, fugiram. Dois deles já foram recapturados. Possivelmente, até porque a reincidência é grande e a polícia também trabalha com esta hipótese, os demais vão acabar presos de novo. Mas é muito provável que antes que ocorra a recaptura dos fugitivos, eles cometam novos crimes para engrossar a já bastante assustadora cota de ocorrências policiais que atinge os paranaenses.
O que aconteceu em Ibiporã não pode porém ser observado pelos responsáveis pela Segurança Pública no Paraná como uma ocorrência atípica. O que se tem no caso é uma evidência muito clara do nível a que chegou a falta de segurança no Paraná. Não foi necessária uma ação muito planejada, nem os responsáveis por ela precisaram usar muitas armas. A facilidade com que tudo se desenvolveu, a tranquilidade com que os marginais dominaram os responsáveis pela delegacia, tudo isto produz um sentimento de medo que vai além de Ibiporã, atingindo o Estado todo. Afinal, o que ocorreu naquela cidade pode acontecer perfeitamente em qualquer outro ponto, nas incontáveis delegacias do Estado onde se encontram centenas de presos. Observe-se, ademais, na ocorrência, que só não houve uma fuga de todas as 28 pessoas ali detidas porque a maioria preferiu ficar. Eventualmente, é outro sinal dos tempos: quem está preso talvez prefira permanecer na cadeia, porque a vida fora das grades está difícil.
As autoridades policiais ponderam que é quase impossível conseguir evitar alguns crimes. O ladrão, o latrocida, quem quer que pretenda adotar uma ação ilegal tem todas as condições para escolher o local, o momento, a circunstância para cometer o delito. Não é possível ter-se policiamento em todas as esquinas, ruas, praças, estradas de um Estado. De modo geral, a polícia tenta agir preventivamente. Quando porém a prevenção não funciona, a tarefa é mais complicada: deve-se encontrar os criminosos, prendê-los, realizar o processo e condená-los. Não é fácil. Quando, porém, os criminosos – ou suspeitos – já estão presos, como no caso de Ibiporã, é inconcebível que pela ação de dois outros marginais, todo o trabalho seja perdido e os mais perigosos voltem às ruas para ameaçar a população.
Anuncia-se um inquérito para apurar se algum dos elementos da polícia teve envolvimento na fuga. É um procedimento normal. Todavia, independente do resultado desta investigação, o que salta aos olhos é a situação de plena insegurança dentro de um organismo policial. No que tange ao fato em si, a Polícia Civil considera que o trabalho de segurança em estabelecimentos como as delegacias deve ser feito pela Polícia Militar. Já a PM alega que este tipo de atuação não faz parte de suas responsabilidades, conforme define a Constituição estadual.
Ocorre que este tipo de discussão não resolve o problema. Alguém tem de ser responsável pela segurança nas delegacias. Se nem lá é possível esperar uma atuação objetiva da polícia, então a população está totalmente desamparada o que é inconcebível. Paralelamente ao inquérito para averiguar responsabilidades na fuga de presos da Delegacia de Ibiporã, o que se tem de exigir, no Paraná todo, é que esta questão seja enfrentada e resolvida, em nome da segurança que cabe ao Estado garantir ao cidadão.

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