As conclusões do estudo realizado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), sobre o constante esvaziamento das pequenas cidades do Estado, refletem uma situação que vem sendo percebida há tempos, já tendo merecido esforço de alguns governos estaduais, sem sucesso. Com efeito, a queda de população nos municípios menores do Paraná vem se registrando desde os anos 70, reflexo direto de uma série de circunstâncias, entre as quais a falta de maior apoio à atividade agrícola, e a busca de novas fronteiras (notadamente em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso) por boa parte da população. As dificuldades da agricultura também nos outros Estados provocaram uma reversão, com o retorno de muitos ao Estado. Mas esta volta se processou visando aos maiores centros, o que manteve e ampliou o quadro de esvaziamento da maioria dos municípios do Estado. Segundo o Ipardes, a persistência deste quadro fará com que, no final da próxima década, 19 municípios do Estado tenham 55% do total da população, enquanto os demais 45% estarão vivendo nos 380 restantes.
Esta tendência começou há mais de três décadas, em função das mudanças na legislação sobre o trabalho no campo e dos alagamentos para a formação de represas destinadas ao aumento da produção hidrelétrica. Paralelamente, as dificuldades cada vez maiores dos pequenos produtores, em função da falta de apoio oficial e da elevada taxa de juros na época da inflação mais exacerbada, acabaram por levar um incontável número de antigos pequenos proprietários à rua da amargura, ampliando o rol dos bóias-fria e inchando as cidades-pólo das mais diferentes regiões do Estado. Alguns governos estaduais da época sentiram a gravidade do problema e ofereceram medidas visando evitar a fuga das pequenas cidades (uma vez que o êxodo rural já era quase inevitável), mas os programas apresentados não tiveram sequência e profundidade. A consequência é o quadro atual mostrado de modo claro pelo estudo do Ipardes.
Importa observar que este é um desafio muito sério e que não pode ser deixado de lado. As tendências apresentadas pelo citado levantamento representam, porém, o que pode acontecer caso não haja medidas concretas visando modificar este panorama. Para o próprio Estado e sua população, é vital um esforço para frear as tendências apontadas, até porque o inchaço dos grandes centros já é um problema sério, que vai se agravar na medida em que não se procure alterar o quadro atual. O levantamento feito pelo Instituto visa, precisamente, apresentar saídas diante dos fatos previstos para os próximos anos. A idéia seria a de dotar os maiores centros de condições melhores para acolher esta crescente população.
Há, porém, uma alternativa muito mais simples e prática: a de se criar condições para que os pequenos municípios recebam de volta suas populações. Uma política de incentivo àquelas municipalidades, sem dúvida, é menos onerosa do que a necessidade de criação de tudo o que os grandes centros vão necessitar para atender a uma crescente população. O retorno ao interior representa uma solução positiva e que pode se tornar concreta com menos recursos, desde que haja clareza na intenção e objetividade na execução de tal projeto.
O Paraná, que cresceu muito com a agricultura, pode aproveitar esta nova situação econômica para garantir um desenvolvimento mais harmônico dos seus municípios. Uma forte política de incentivo ao interior, com a oferta de melhor condição de vida e trabalho, certamente trará resultados excepcionais para o Paraná e os paranaenses.

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