EDITORIAL - Incentivo à educação
Informe do Unicef indica que o acesso ao ensino básico é quase universal na América Latina e no Caribe, onde a taxa regional de escolarização ultrapassa os 90%, sendo que os índices mais baixos são registrados na Guatemala e no Haiti, com 58% e 69%, respectivamente. A escolarização básica aumentou em um ritmo anual de 4,4% entre 1960 e 1980 na região e os progressos continuaram apesar da austeridade financeira dos anos 80, segudo destaca o documento do Fundo das Nações Unidas para a Infância. O informe diz que, apesar da discriminação feminina ser um problema, a escolarização das meninas é igual à dos meninos, no nível básico, mas é superada no nível secundário (51% e 47%). As mulheres representam três quartos do corpo docente do nível básico e as taxas elevadas de evasão e repetição na escola primária ainda são um problema, conforme o mesmo levantamento. Um quarto das crianças que começam o nível básico abandona a escola antes de chegar à quinta série. Bolívia, Colômbia, El Salvador, Haiti, Nicarágua e a República Dominicanna têm taxas mais altas de evasão escolar, com 40% ou mais. Brasil e Guatemala lideram em repetência, ambos com mais de 15%. O Unicef informa ainda que a América Latina e Caribe têm a mais elevada taxa de analfabetismo entre adultos no mundo em desenvolvimento, com 87%.
O informe explica que as altas taxas de evasão e repetição revelam problemas na qualidade da educação. Mesmo assim, destaca os progressos registrados na América Latina. As taxas de escolarização básica passaram de 60% em 1960 para 90%, e a região tem a proporção mais alta de alunos por habitante no mundo em desenvolvimento. O Unicef cita o exemplo da Escola Nova, na Colômbia, afirmando que esta se tornou um modelo de ensino flexível e adaptado à realidade local. A Guatemala criou mil escolas comunitárias em 1997. Brasil, Paraguai e Peru tiveram iniciativas similares.
O que não é destacado no estudo a Unicef cita apenas a esmagadora presença feminina no corpo docente de nível básico , é a questão relativa aos professores, sem dúvida o fundamento de todo o processo educacional, que continuam a ser tratados como profissionais de classe inferior em praticamente todo o continente. A observação relativa ao crescimento na escolarização na América Latina acaba até por ser, ainda que não se o explicite, um verdadeiro louvor aos mestres, que apesar da falta de apoio, de reconhecimento, de condições para exercer seu ministério, ainda conseguem garantir a continuidade no processo educacional no Brasil como em toda a América Latina. A falta de reconhecimento ao seu trabalho, a apatia com que se trata as reivindicações da categoria, o verdadeiro desrespeito à profissão fazem parte de um quadro que reclama urgentes mudanças, sob pena de se ver perdido todo o esforço que é feito visando melhorar as condições de educação do povo nesta parte do mundo.
A preocupação do Unicef em relação à escolarização está intimamente vinculada à idéia segundo a qual a educação constitui o elemento básico para que as populações da América Latina consigam reverter o atual quadro de subdesenvolvimento e miséria que faz parte de toda a região. É fora de dúvida, entretanto, que qualquer modificação real neste quadro só será obtida a partir de uma ação correta com vistas à valorização dos professores. Isto representa não apenas salários dignos, mas também condições adequadas para o exercício da profissão, acesso a cursos de aperfeiçoamento, respeito efetivo à profissão que está hoje na base de qualquer processo de desenvolvimento que se possa lançar.





