A tragédia aconteceu no Hospital Federal de Bonsucesso, no Rio de Janeiro, mas poderia ter acontecido em qualquer lugar onde há um evidente descaso com as políticas públicas de saúde e desrespeito pelas normas de segurança.

Infelizmente, o Brasil coleciona em sua história recente outras tragédias como a que vitimou três pessoas no hospital do estado do Rio. Citando algumas mais recentes, o incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo, também no Rio, que acabou com a vida de 10 adolescentes que viviam no local. Ainda no ano passado, na mesma cidade, 14 pessoas morreram após um curto-circuito provocar um incêndio no Hospital Badim.

O Hospital de Bonsucesso é uma das maiores unidades de saúde pública do estado do Rio, mantido pelo governo federal. O fogo começou na terça-feira (27) pela manhã, provocando cenas de um filme de terror, com esvaziamento dramático do local. Pacientes acamados e bebês internados eram levados de maneira totalmente improvisada para um centro automotivo que fica ao lado do hospital.

Como nos outros casos citados acima, não se pode dizer que a tragédia em Bonsucesso foi uma surpresa. O hospital não tinha autorização de funcionamento pelo Corpo de Bombeiros e testemunhas dão conta de que muita gente alertou as autoridades para as más condições do prédio. O jornal "O Globo" informou que, em uma vistoria realizada no ano passado, técnicos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde apontaram falhas graves no sistema de prevenção a incêndio e “alto risco de explosão”, por conta do superaquecimento de dois transformadores.

E tinha mais problemas. No mesmo subsolo onde as chamas surgiram, os técnicos tiraram várias fotos para comprovar sérios problemas no sistema elétrico. O relatório ainda apontou hidrantes desativados e com mangueiras danificadas.

É muito provável que se essas ocorrências fossem constatadas em um hospital particular, dificilmente estaria com as portas abertas - o que seria a conduta correta. Mas por que então o tratamento diferencial entre público e privado?

A nota emitida na terça-feira (27) pelo Ministério da Saúde, responsável pelo hospital, informando que o governo federal lamentava as mortes e tinha projetos em andamento para realizar uma série de reformas urgentes não diminuiu a revolta de funcionários do hospital e parentes de pacientes.

É preciso aguardar o término da investigação para apontar qualquer responsabilidade. Mas existe realmente uma falta de investimento na manutenção de prédios públicos antigos. Descaso que sempre acaba sendo agravado pela burocracia.

Infelizmente, o desastre no Hospital Federal de Bonsucesso está muito longe de ser um acontecimento isolado. Mas é fato que nesse caso não faltam documentos e relatos que comprovam que realmente o Brasil assistiu a mais uma tragédia anunciada.

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