A Assembléia Legislativa do Paraná acaba de concluir os trabalhos de cinco CPIs, e a sociedade civil considera insatisfatórios os resultados, alegando que as investigações foram muito superficiais. Pela declaração de um líder classista, os deputados precisam ter mais autonomia na sua relação com o Poder Executivo, para poder investigar mais a fundo.
O que ocorre não é ausência de autonomia, mas dependência muito clara do corpo legislativo às vontades do governo, e assim sempre tem sido ao longo da história. Não há impedimentos que dificultem a atuação dos deputados, se eles decidem agir.
Se formos buscar, na história paranaense, a lista de proeminentes políticos, que tenham apresentado grandes projetos e atuado na defesa de grandes causas, não iremos encontrá-los em muita quantidade entre os que passaram pelos assentos da Assembléia Legislativa.
Por sorte o Paraná teve alguns bons governadores, e a eles se deve o advento de grandes melhoramentos no Estado, e ainda aí, quando necessária a anuência dos deputados para decisões importantes, eles agiram pelo poder emanado do Palácio do Governo.
Não são encontráveis com grande frequência, nos anais da Assembléia, registros expressivos de atuação inversa, ou seja, de grandes campanhas e de grandes projetos criados por inspiração das luzes da Casa. O que conhecemos foram quatro décadas de domínio de um único deputado sobre os demais, e talvez tenha sido esta escola a responsável pela ignorância dos pares sobre o significado da função parlamentar.
O estímulo a políticas de acomodamento foram a marca desse período, e isto resultou numa tradição, que foi passando de uma legislatura para a outra e preserva-se ainda muito forte no seio do organismo parlamentar.
Não surpreendem, então, as CPIs de resultados insatisfatórios, o pouco empenho dos deputados e o boicote à criação de novas Comissões de Inquérito que venham a incomodar o governo, como a do pedágio, principalmente.
Há todo um caminho a percorrer para reversão desses costumes, e isto não irá ocorrer apenas pelo critério de bem escolher os governantes que queremos, porque a realidade nos tem mostrado que cidadãos honestos, em muitos casos, transformaram-se em políticos corruptos, ou irresponsáveis, ou inoperantes. Ao ato de votar deverá seguir-se a contínua ação fiscalizadora e a pronta intervenção dos cidadãos.
Em países altamente politizados e desenvolvidos, como os Estados Unidos por exemplo, a importância do voto é secundária, eis que mais da metade dos cidadãos aptos nem vota - como ficou demonstrado na última eleição - porém é forte sua ação depois, sobre os eleitos, e isto é o que importa e que traz resultados.

mockup