O ministro das Finanças do Japão, Kiichi Miyazawa, deve propor redução coordenada nos juros pelas maiores potências industriais, a fim de evitar um colapso generalizado das bolsas mundiais. A proposta deve ser apresentada ao secretário do Tesouro dos EUA, Robert Rubin, em São Francisco na próxima sexta-feira, segundo fontes do governo japonês. Miyazawa deve também pedir aos EUA para que tomem as medidas necessárias a fim de ajudar os países da América Latina a superar seus problemas financeiros. Tóquio considera essencial a cooperação no circuito das potências industriais, especialmente entre Japão e Estados Unidos, para dar aos mercados de ações do mundo um senso de segurança. Dentro desta perspectiva, o ministro japonês deve pleitear ao presidente do Fed (Reserva Federal), Alan Greenspan, que participará do encontro em São Francisco, a redução dos juros norte-americanos. O Ministro das Finanças do Japão deve ressaltar que o Japão já tomou medidas em relação ao juro, ao manter a taxa de redesconto no mais baixo nível já registrado, de 0,5%.
A sugestão do atual ministro das Finanças do Japão é coerente e objetiva. E pode representar, sem dúvida, importante contribuição dos meios financeiros mundiais para a superação da crise que começou há cerca de um ano, em seus termos mais graves, e que parece insuperável. Com efeito, desde que começaram os primeiros tremores econômicos na Ásia, as coisas não pararam mais. O tão falado efeito dominó foi em sequência, atingindo países de praticamente todos os continentes, em especial as chamadas economias emergentes. Nem o Brasil escapou, como se recorda, sendo levado a lançar o famigerado ‘pacote’ de novembro com altas de juros, além de outras medidas, todas de elevado custo para a população.
De lá para cá, raras têm sido as temporadas de estabilidade e calma. E, agora, com a debacle econômica da Rússia, outro verdadeiro tufão está varrendo as bolsas e as economias em praticamente todo o mundo. O recém-encerrado mês de agosto marcou uma das piores quedas nas Bolsas por toda parte. Wall Street enfrentou um arrasador fim de mês, registrando os mais baixos índices dos últimos anos. Milhões de dólares se esfumaçaram na crise. E o pior é que não se vislumbra um final. Naturalmente, há um componente especulativo muito grande que pode ser percebido facilmente. Todavia, juntando-se a isto fatos reais (como a situação de inadimplência da Rússia, a crise no Japão, na Coréia, na Indonésia) e também a fatores emocionais que se associam, tem-se como resultado uma situação assustadora, que reclama respostas objetivas e ação concreta, não apenas das entidades financeiras e também não só dos países em crise ou por ela ameaçados, mas de todo o mundo.
A redução de juros por parte dos países mais ricos, conforme a idéia do ministro Miyazawa, pode representar, neste momento, um importante alívio para as nações mais carentes, constituindo uma frente positiva nesta luta em que os fatos só parecem ser negativos. E não se trata de um tipo de favor que aquelas nações vão fazer. A atual debacle econômica, que atinge mais seriamente os países pobres, vai chegar também aos ricos, que precisam pensar em seus mercados. Uma recessão global será sem dúvida danosa para as chamadas economias emergentes. Mas não há dúvidas sobre seus efeitos, que atingirão todo o planeta. Assim, é do interesse natural de Japão (o maior exportador do mundo), dos Estados Unidos e das demais nações industrializadas adotar medidas que possam aliviar um pouco a atual crise. Acabarão sendo, no fim, os maiores beneficiários deste tipo de iniciativa.

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