Folha, 51 anos de luta
Em 1948, Londrina ainda mantinha, aos 14 anos de existência, aquele atrativo que a havia tornado nacional – e até mundialmente – famosa. Havia superado, e muito, as previsões mais otimistas dos que a constituíram ao longo daqueles longos, duros, aventurosos e produtivos anos iniciais. A Segunda Guerra Mundial tinha acabado poucos anos antes, o mundo estava se transformando de um modo que poucos poderiam conceber, era – embora, naturalmente, quase ninguém se desse conta à época – um tempo novo e de enormes mudanças. Foi no final de 1948 que surgiu mais um jornal nesta terra de tantos empreendimentos, de tantos sonhos. Outros já haviam surgido antes, alguns circulavam naquele tempo. E a ‘Folha de Londrina’ era, naquele quadro, apenas mais uma de tantas iniciativas que pareciam brotar do chão como o café da terra vermelha. Assim como acontecia por vezes com o café, a ‘geada’ das dificuldades acabava com muitos sonhos. Felizmente, isto não aconteceu com a ‘Folha’.
Aquele jornal nascido em 1948 foi crescendo, acompanhando mesmo a evolução da cidade que lhe emprestou o nome, expandiu-se, ultrapassou fronteiras até atingir o atual patamar, 51 anos depois de sair, pela primeira vez, às ruas de pó e lama da Londrina daquela época. E de tal modo cresceu que hoje não é mais apenas a ‘Folha de Londrina’, mas é também a ‘Folha do Paraná’. E, mais que isto – sendo este, sem dúvida, o fator que a fez superar todos os obstáculos – converteu-se na ‘Folha de todos os paranaenses’, o órgão oficial em defesa dos municípios e dos munícipes, o defensor firme e coerente de todas as justas reivindicações dos que trabalham e que forjaram esta nova civilização do Paraná.
Esta sobrevivência, este crescimento continuado, esta situação atual de um jornal que, nascido e com base no interior, acabou se convertendo em um dos mais importantes do país, figurando com destaque pela tiragem e pelo prestígio na relação dos mais lidos e respeitados, não tem segredos. É, apenas, fruto de uma mentalidade que se forjou junto com Londrina. É resultado do mesmo espírito corajoso que fez o Norte do Paraná explodir em progresso, contrariando até as teses sobre o desenvolvimento municipal no mundo. Com efeito, especialistas em urbanismo se espantaram ao ver o crescimento do Norte do Paraná, o progresso obtido por cidades que estavam distantes da capital, fato que raramente ocorreu no Brasil ou mesmo no mundo. Esta situação provocou a necessidade de uma filosofia de muita coragem e disposição, de Londrina, em geral, como do jornal em particular.
Adicionalmente, sabia-se então que Londrina não era uma ilha, mas fazia parte de um todo, chamado Paraná, e de outro maior, chamado Brasil. Esta percepção serviu para superar rançosos sentimentos xenófobos, tanto da cidade quanto do jornal. E a observação das necessidades comuns e da importância de uma luta unida pelos ideais naturais de crescimento e desenvolvimento do cidadão do Paraná é que marcou a vida da ‘Folha de Londrina’ nestes anos todos. É válido rememorar a forma como a ‘Folha’ chegava a uma nova cidade, em seu processo de expansão: a primeira atitude era o oferecimento do jornal à nova comunidade, colocando-se o órgão à disposição das autoridades e de seu povo. Era uma filosofia de serviço, partindo-se do princípio segundo o qual um jornal tem de estar ao lado do povo para ser, de fato, porta-voz e partícipe de seus anseios. Baseado todo este tempo nesta idéia, a ‘Folha de Londrina/Folha do Paranᒠatinge os 51 anos consciente de ter feito o que se propôs naquele distante 1948 e disposta a seguir a mesma trilha para servir e atender cada vez mais aos reclamos dos cidadãos do Paraná.

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