Quando, no dia 13 de novembro de 1948, saiu às ruas o primeiro exemplar da ‘Folha de Londrina’, havia muitos outros jornais na cidade. Afinal, Londrina, com sua incrível História que havia encantado o Brasil, o chamado novo Eldorado, tinha que ter desde os primórdios aqueles que iriam contar sua saga. Os jornais surgiam e desapareciam com o correr do tempo, como tantas outras atividades numa época de luta, dificuldade e, sem dúvida, aventura. Naquele período, era mais um jornal.
Meio século depois, a ‘Folha de Londrina’ já é também a ‘Folha do Paraná’, figura entre os maiores jornais do País, tem reputação consolidada como um veículo de comunicação voltado para os reclamos da coletividade e se orgulha do espaço conquistado. Tudo isto, porém, não ocorreu por acaso, nem por acidente. Na verdade, é fruto de um trabalho intenso e firme, feito ao longo de todo este tempo, crescendo primeiro junto com a cidade que lhe deu o nome, depois se integrando à região e hoje, com repercussão estadual, mantendo o mesmo espírito, a mesma coragem e disposição de se unir à grande luta dos brasileiros pelas suas mais importantes causas.
Como boa semente, lançada na fértil terra vermelha do Norte do Paraná, a ‘Folha’ cresceu naturalmente. Com uma filosofia de serviço, com uma vocação genuína pela defesa das reivindicações das coletividades em que circulava, o jornal acabou se identificando com elas. O segredo da sobrevivência, ao longo destas cinco décadas, enquanto tantos outros surgiam e desapareciam, está exatamente nesta interação, nesta disposição de participar, nesta vontade de se unir às grandes lutas.
E houve muitas lutas. Incontáveis, tanto em nível local quanto regional ou estadual. A fidelidade aos princípios esposados desde o início, voltados sempre ao interesse do leitor e da população, prevaleceu mesmo nas épocas mais difíceis. Aos problemas comuns enfrentados pelos brasileiros em geral, neste meio século de incríveis e importantes transformações, juntaram-se outros, mais ligados mesmo à atividade-fim de um jornal, a comunicação. Na terrível época da ditadura, que durou quase a metade da existência da ‘Folha’, 21 anos, a batalha foi ainda pior. Não poucas vezes, naquele período, o jornal foi pressionado pelos militares, chegou a ter edição apreendida, apenas por insistir em cumprir sua primeira missão, a de informar. E quando começou a reação popular, o esforço pela reconquista da democracia, a ‘Folha’ igualmente esteve presente, não apenas noticiando, mas participando da grande epopéia brasileira pela redemocratização.
Esta identificação com os anseios do povo, seja na simples reivindicação pela construção de casas populares em um município, pelo asfaltamento de uma rodovia, pela instalação de uma Universidade estadual, ou na participação em defesa dos princípios municipalistas e na defesa dos anseios dos agricultores é que acabou permitindo que a ‘Folha’ superasse os obstáculos e chegasse aos 50 anos em uma posição ímpar, mantendo a credibilidade e garantindo o que é talvez o mais importante, a confiança e o afeto da população de todo o Estado a que serve.
Este Jubileu de Ouro e toda a História que o cerca serve, porém, fundamentalmente, como uma base para prosseguir. É certo que as grandes conquistas e a evolução que foi sempre a marca da ‘Folha’, buscando se aperfeiçoar tanto humana quanto tecnicamente, representam um patrimônio incomensurável. Todavia, na dinâmica da vida, este há de ser apenas um marco. O trabalho prossegue, assim como o compromisso, assumido há 50 anos, mantido através dos tempos, e que faz parte da mística de um jornal, de servir sempre ao povo que o acompanha fielmente.

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