O aumento das exportações brasileiras dos atuais US$ 53 bilhões anuais para US$ 100 bilhões em 2002 pode gerar 3 milhões de empregos, segundo informações difundidas pela frente que apóia a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Para cada 1 bilhão de dólares a mais nas receitas de nossas exportações, podem ser gerados 62.000 novos empregos’’, afirmou o deputado Francisco Dornelles, ex-ministro de FHC. O desemprego aberto afeta 8% da população economicamente ativa do Brasil, segundo dados oficiais.
Interessante é perceber como os elementos ligados à candidatura do presidente à reeleição conhecem perfeitamente a resposta para o drama que é hoje o mais sério desafio dos governos em praticamente todo o mundo. Não é uma alternativa que necessita de medidas legais, de Medidas Provisórias, reformas constitucionais, mas de um simples esforço objetivando aumentar as vendas do País ao exterior. Basicamente, esta solução foi descoberta pelo governo da chamada Revolução, quando intentou realizar uma nova e grande arrancada econômica. Naquela ocasião, cunhou-se até o slogan ‘exportar é o que importa’ e o Brasil se lançou à grande tarefa de conquistar mercados e ampliar sua carteira de negócios no exterior.
Naquele período, porém, existia uma outra situação e a alternativa do governo se baseava em uma premissa que pode ser considerada, no mínimo, desumana. O que acontecia então era que as autoridades percebiam que o Brasil precisava aumentar sua produção em todos os campos. E havia também a percepção segundo a qual a população não tinha condições de absorver este aumento, inclusive porque as condições internas eram precárias, o salário baixo. Assim, além de aumentar a produção - que é um modo acertado de provocar mais desenvolvimento - era preciso buscar mercados externos.
O erro maior foi que a população em geral, notadamente a faixa mais carente, acabou muito sacrificada. O crescente clamor dos trabalhadores, principalmente, e do povo em geral, diante dos sacrifícios sempre renovados e da falta de uma efetiva melhoria na vida da população, fez o então ministro da Fazenda, Delfim Neto, ponderar que ‘‘é preciso primeiro fazer o bolo crescer, antes de distribuir fatias’’. Infelizmente, o bolo jamais chegou a ser suficiente, no entendimento do governo, para propiciar algo em benefício da população.
Hoje, com alguns bons efeitos do programa de estabilização da economia, uma parcela da população já melhorou seu nível de vida. Há menos miseráveis, há menos pobreza. Mas, naturalmente, a situação ainda não é a ideal. E existe o grande problema do emprego, que deveria estar na primeira linha de prioridades do governo porque é com trabalho que o cidadão pode começar a ter melhores condições de vida, restaurar a esperança, melhorar sua auto-estima. De qualquer modo, continua acertada a idéia segundo a qual um aumento no volume de exportação propicia boa alternativa para este desafio. Três milhões de novos empregos surgidos, conforme o anunciado, em função do aumento das exportações, constituem um número importante nesta luta.
Logo, é necessário que haja um esforço no sentido de tornar real esta meta. E isto implica em incentivo mais amplo à atividade produtiva. A iniciativa privada pode atingir o objetivo estabelecido, desde que tenha apoio do governo, com estímulos aos investimentos e à melhoria do parque industrial, para começar. É preciso também que as soluções para os dramas que o País enfrenta sejam estudadas e efetivadas em qualquer época, e não ganhem destaque oficial apenas em época de campanha eleitoral.

mockup